CULTURA

  • Jorge Campos

“Abaixo a inteligência! Viva a morte!”



O sujeito do meio é o general Millán Astray. Cego de um olho, maneta e com outras maleitas resultantes de ferimentos em combate. Sim, ele era um legionário. Fascista. Em 1936, na universidade de Salamanca, os seus sicários gritaram: viva espanha! viva a morte! O reitor, o filósofo Miguel de Unamuno, então com 70 anos, disse estas palavras:

“Há pouco escutei um grito necrófilo e sem sentido: “Viva a morte!” E eu, que passei a minha vida dando forma a paradoxos, (…) devo dizer-lhes, como autoridade no assunto, que esse bizarro paradoxo me causa repulsa. O general Millán Astray é um inválido. Um inválido de guerra. Desafortunadamente, existem hoje demasiados inválidos em Espanha. Em breve haverá ainda mais se Deus não vier em nossa ajuda…” Millán Astray, que estava ao lado de Unamuno na tribuna, empurrou-o, e gritou: “Abaixo a inteligência! Viva a morte!” Deus não atendeu ao pedido de Unamuno. Altas figuras da igreja estavam presentes, mas trataram foi de assistir a devota dona Carmen, mulher do general Franco, tão abalada ela ficara com as palavras do filósofo Unamuno que, de resto, tinha visto com bons olhos o movimento do marido da senhora.



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