top of page
   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de out. de 2020
  • 1 min de leitura


O sujeito do meio é o general Millán Astray. Cego de um olho, maneta e com outras maleitas resultantes de ferimentos em combate. Sim, ele era um legionário. Fascista. Em 1936, na universidade de Salamanca, os seus sicários gritaram: viva espanha! viva a morte! O reitor, o filósofo Miguel de Unamuno, então com 70 anos, disse estas palavras:

“Há pouco escutei um grito necrófilo e sem sentido: “Viva a morte!” E eu, que passei a minha vida dando forma a paradoxos, (…) devo dizer-lhes, como autoridade no assunto, que esse bizarro paradoxo me causa repulsa. O general Millán Astray é um inválido. Um inválido de guerra. Desafortunadamente, existem hoje demasiados inválidos em Espanha. Em breve haverá ainda mais se Deus não vier em nossa ajuda…” Millán Astray, que estava ao lado de Unamuno na tribuna, empurrou-o, e gritou: “Abaixo a inteligência! Viva a morte!” Deus não atendeu ao pedido de Unamuno. Altas figuras da igreja estavam presentes, mas trataram foi de assistir a devota dona Carmen, mulher do general Franco, tão abalada ela ficara com as palavras do filósofo Unamuno que, de resto, tinha visto com bons olhos o movimento do marido da senhora.



 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 5 de out. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.




não sei ao certo quantos candidatos teremos nas próximas presidenciais. já anunciados há três de esquerda, um de uma franja infanto-liberal irrelevante e um quinto saído das catacumbas da marginalidade cujo nome evito pronunciar por razões de salubridade. há dias também apareceu o tino de rans a manifestar a intenção de... o tino é sempre um must. finalmente, pelo menos até ver, há ainda o futuro presidente que sem nada ter dito já disse tudo posto que não sendo ainda candidato passa o tempo no exercício da função, em campanha. diga-se, em abono da verdade, que o futuro presidente não tem estado mal na qualidade do atual. junta aos beijos e abraços uma razoável noção de medida, cultiva boas relações institucionais, respeita as formalidades da constituição e está sempre presente, porventura, até demasiado. regra geral, os portugueses apreciam o estilo que os tempos não estão para modas. ora tirando os desperdícios - o tino, o anacrónico ultra-liberal e o arruaceiro encartado - ficam os três candidatos da área socialista e comunista. são todos muito bons, com provas dadas em áreas em relação às quais o futuro presidente só conhece da navegação à vista. na verdade, a filiação ideológica, o seu passado e até as relações pessoais de uma vida, se nunca o afastaram da democracia, parecem condicionar-lhe o nervo para enfrentar as grandes questões do nosso tempo. sendo católico, ele nunca dirá ser necessário rejeitar o neoliberalismo como fez o papa Francisco. sendo pessoa de princípios observou sempre distância protocolar em relação à corrupção. sendo solidário raramente vai ao osso que é o mundo do trabalho. sendo bom observador tem dificuldade em olhar para os desmandos do sistema financeiro. alterações climáticas, refugiados e questões de género também não são a praia dele. de modo que aos três candidatos da esquerda não faltam matérias com que o confrontar democraticamente no quadro do entendimento do exercício das funções presidenciais. sendo um lubrificador sistémico com tendência para a marcha-atrás é bom que o nosso professor seja chamado ao debate. quanto ao mais, haver três excelentes candidatos à esquerda só me enche de satisfação. é altura de assumir a diversidade do socialismo como um bem inestimável.


05/10/2020

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 4 de out. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.


Fonte: agazeta.com.br
Fonte: agazeta.com.br

nunca te vi tão enfiado por causa do tal vírus. aquela declaração antes de seres internado deixou-me em cuidados. parecias uma figurinha de cera saída do catálogo da família adams. só que à rasca. andaste a engolir hidroxicloroquina, recomendaste lixívia como desinfetante, anunciaste o fim da pandemia para abril, mandaste a máscara às urtigas, fizeste comícios com tudo ao molhe e fé em ti e disseste que tinhas tudo sob controle embora a culpa fosse da china. enquanto isso a pandemia alastrava como fogo em pradaria e a maioria dos teus compatriotas não tinha sequer como se tratar. também não valia a pena porque já tinhas a melhor vacina do mundo. pois bem, acabaste por ter de deixar a casa branca de helicóptero, estás a fazer um tratamento experimental e desejo-te a sorte que as alminhas que te elegeram nunca terão porque cuidados vip não são para todos. mas olha, nem tudo é mau. ouvi fiéis da tua paróquia dizerem que vais sair da trapalhada na maior e que essa será a prova definitiva da tua razão. antes assim. presta-lhes atenção e serás reconfortado. tudo continua a ser great e beuatiful. vá lá, não os desiludas.

 
 
 
120048145_341823260208071_74511127798334

Receba a Newsletter de NDR diretamente na sua caixa de email

Todo o conteúdo © Jorge Campos

exceto o devidamente especificado.

Criado por Isabel Campos 

Ouvir

Ver, Ouvir & Ler

Ler

C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

Estático

Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

televisão sillouhette

Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

bottom of page