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   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de out. de 2020
  • 1 min de leitura


No dia 14 de agosto de 1944 ficou consumada a Libertação de Paris. Para a posteridade ficaram as palavras do célebre discurso do general De Gaulle: 'Paris! Paris ultrajada! Paris dominada! Paris martirizada! Mas Paris libertada!' Porém, neste dia, num tempo em que forças inspiradas na sarjeta ideológica nazi-fascista voltam a operar à escala global com outros nomes e outros disfarces, talvez seja mais importante recordar o colaboracionismo. Após a capitulação da França, Hitler decidiu-se pela administração directa do norte e criou um regime fantoche em Vichy sob a liderança do marechal Pétain (foto). Os colaboracionistas actuaram por vezes com uma brutalidade que excedeu a dos ocupantes. Por exemplo, “A Rusga" mobilizou cerca de 10 mil funcionários e polícias e levou a uma deportação massiva no verão de 1942 de 13 mil judeus. Mais de 4 mil eram crianças. Destino: Auschwitz. poeticamente, chamou-se a isto "Operação do Vento da Primavera". Há máscaras para tudo. As mais repulsivas são as dos que escondem debaixo do tapete as vergonhas do passado. Já lá vai, não foi bem assim, não vale a pena reabrir feridas, dizem eles. Pois...

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de out. de 2020
  • 1 min de leitura


No dia 14 de agosto de1936, em Badajoz, as tropas dos generais sediciosos comandadas por Francisco Franco escrevaram uma das páginas mais tenebrosas da ignomínia fascista na Guerra Civil de Espanha. À capitulação dos republicanos seguiram-se perseguições em massa e fuzilamentos indiscriminados. Salazar não só permitiu que falangistas entrassem em Portugal em perseguição de quem procurava escapar à morte, mas também colaborou devolvendo a Franco patriotas capturados pela polícia política portuguesa. Ainda hoje não se sabe ao certo quantos milhares foram metidos e executados na praça de touros da cidade. Factual: até enviados do III Reich a Espanha manifestaram estranheza perante Franco quanto à brutalidade exercida sobre os seus opositores políticos. Factual: Franco assinava ele próprio sentenças de morte. Factual: Franco ultrapassou Pol Pot do Cambodja no delírio assassino. Factual: Franco foi abençoado pela hierarquia da Igreja Católica e repousou como símbolo da Grande Espanha no Vale dos Caídos. Conclusão: Evidentemente que o museu de Salazar em Santa Comba Dão vai reavivar a memória deste horror. Vai?

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de out. de 2020
  • 1 min de leitura


A evidência do ano (1919) foi a confirmação do regresso em força da História. A foto é de Agustí Centelles, fotojornalista catalão que cobriu a Guerra Civil de Espanha do lado republicano. Poucas horas antes da queda de Barcelona nas mãos dos fascistas, Centelhes conseguiu escapar para França, através dos Pirinéus, tendo como única bagagem uma maleta com milhares de negativos. Ttivessem eles caído nas mãos de Franco e muitos republicanos teriam sido identificados e, provavelmente, fuzilados. A Guerra Civil de Espanha fez mais de 400 mil mortos. O estado espanhol nunca soube - ou não quis - lidar com o passado. Uma parte substancial do Partido Popular saiu do franquismo e isso explica muita coisa, mas não explica tudo. O homem da foto existiu, agigantou-se, foi muitos. A pretexto de não reavivar feridas do passado, ninguém lhe fez justiça. O problema é que as feridas devem ser tratadas. Não o tendo sido, regressaram os velhos fantasmas. É o que dá varrer a História para debaixo do tapete.

 
 
 
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Criado por Isabel Campos 

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Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

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