CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 13



Verão Violento (1959) de Valerio Zurlini. Este filme extraordinário é a história de um amor impossível. Tudo se passa num momento crítico da história do fascismo italiano em 1943. O filme começa no momento em que o Duce convoca o seu gabinete e verifica assombrado que perdeu a confiança da maioria dos que lhe estavam mais próximos. A desastrosa aliança com os nazis, a guerra na União Soviética onde os italianos perderam 200 mil soldados, mais a questão das leis raciais e ainda o caos reinante levaram o caricato imperador Victor Emanuel a exigir a sua resignação. Aturdido, o ditador pôs-se em fuga e sujeitou-se a ser o chefe fantoche da República de Saló, no norte de Itália, criada pelos alemães. Nada disto é mostrado no filme de Zurlini, mas tudo isto lá está como pano de fundo sinalizado através de notícias da rádio e dos jornais. Um jovem, filho de um proeminente fascista, encontra uma mulher mais velha de uma família burguesa de tendências antifascistas. São duas almas à deriva. O jovem, protegido pelo pai, nem sequer fez o serviço militar e vive num meio onde ninguém parece perceber o mundo à volta. A mulher procura um sentido para a existência. A foto remete para a cena final. Após um bombardeamento da aviação aliada parece que irão encontrar um destino comum. Mas, cada um na sua circunstância, seguirá o seu caminho. Porventura, caminho nenhum. Fabulosas interpretações de Eleanora Rossi Drago e Jean-Louis Trintignant.

159 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo