CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 19

Atualizado: 6 de Nov de 2020



A Batalha do Chile: A Luta de um Povo sem Armas - 1. A Insurreição da Burguesia (1975); 2. O Golpe de Estado (1976); O Poder Popular (1979) - de Patricio Guzmán. Este tríptico do documentarista chileno Patricio Guzmán é a obra cinematográfica mais completa alguma vez feita sobre o Chile de Allende e o golpe militar de Pinochet. Grande parte foi filmada clandestinamente e a esmagadora maioria das imagens saiu do Chile através de expedientes que iludiram a vigilância fascista. Numa altura em que durante a última campanha eleitoral no Brasil se ouviram vivas a Pinochet e quando o mesmo sucedeu, há dias, no próprio Chile, aliás a despropósito, em manifestações de apoio a Guaidó, é bom saber do que se está a falar. Que seja do meu conhecimento, A Batalha do Chile nunca teve edição em DVD em Portugal. É pena. E que eu saiba, o serviço público de televisão também nunca o exibiu. Duas notas apenas. A imagem mostra Allende no Palácio de la Moneda durante o ataque das tropas sob o comando daquele a quem, dias antes, em sinal de confiança, tinha sido dado o comando supremo das forças armadas, justamente Augusto Pinochet. A segunda, a mistificação em torno do chamado milagre económico chileno que, mais tarde, iria legitimar o branqueamento do ditador, cujos crimes só a muito custo foram sendo julgados. O filme é um marco do cinema documental. Pela denúncia, naturalmente, mas sobretudo pela reflexão que proporciona. A história não se repete, mas nela aprende-se muito.

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