CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 7



O início das filmagens de Metrópolis (1927) de Fritz Lang em 1924 é contemporâneo da publicação do primeiro volume de Mein Kampf de Adolfo Hitler escrito na prisão. A marcha sobre Roma de Mussolini fora dois anos antes e inspirava os diversos movimentos fascistas europeus. Que tem isto a ver com Metrópolis? Hitler, antes de fundar o partido nazi pertencera ao Partido dos Trabalhadores e Mussolini militara no Partido Socialista antes de ser o idolatrado Duce. Qualquer deles tinha, portanto, preocupações laborais. Na visão futurista de Lang, o operariado vivia e trabalhava nos subterrâneos de Metrópolis, em regime de escravatura, a mando de um patrão todo poderoso habitante da superfície juntamente com a elite organizada à sua volta. Num primeiro momento há uma luta de classes - outro sinal dos tempos. Mas a conclusão, ambígua, aponta para um final feliz onde toda a gente se reconcilia tal como pretendia o estado corporativo, por exemplo, de Mussolini. Acresce que o argumento é da então mulher de Lang, Thea von Harbou, uma nazi assumida. Dito isto, o filme mais caro dos estúdios da UFA na República de Weimar foi um fracasso de bilheteira e conheceu diversas versões em diferentes países. Da versão estreada em 1927 parece não haver vestígio, mas há uma cópia recuperada a partir de película descoberta na Argentina e mostrada pela primeira em 2010 que me parece especialmente recomendável. Para todos os efeitos, Metrópolis é um objecto fascinante.

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