CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 9



Fantasia Lusitana (2010) de João Canijo. Finalmente um documentário. Português. Porquê? Porque é mais do que tempo de falar do assunto. Nos últimos tempos não tem faltado quem afirme que em portugal nunca houve fascismo. Rui Rio, disse-o. Pulido Valente, também. E depois há toda aquela nata de articulistas do observador especialista em revisionismos e branqueamentos. Bem sei que há muitas maneiras de lidar com o tema e que os historiadores, ao longo do tempo, se têm debatido com diversas hipóteses. Para alguns, à direita, o Portugal de Salazar seria um mero regime autoritário. Fascistas mesmo só na Alemanha e na Itália. Bom, em Portugal é claro que houve fascismo. Aos mais cépticos, caso queiram ter uma ideia das coisas, faria bem verem o Jornal Português de Salazar, recentemente editado pela Cinemateca Portuguesa. Foi com base nessas imagens de arquivo que João Canijo fez o seu filme. Lisboa, durante a guerra, não só foi um lugar de convergência de espiões, mas também a cidade para onde milhares de refugiados se deslocavam na expectativa de aí partirem para os Estados Unidos. Erika Mann, filha de Thomas Mann, Alfred Döblin e Antoine de Saint-Exupéry passaram pela capital portuguesa e deixaram-nos textos dando conta do seu espanto face à bizarra noção de realidade dos portugueses. Os textos estão no filme, o qual, não por acaso, se chama Fantasia Lusitana. Vivamente recomendado.

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