CULTURA

  • Jorge Campos

O Poeta



Há quase 30 anos, fiz para a RTP dois pequenos filmes sobre Eugénio de Andrade. Foram exibidos como sendo duas partes de um mesmo documentário. A primeira, muito por vontade do próprio, intitula-se O Poeta. À segunda, por decisão minha e com agrado dele, chamei Rosto Precário, nome de um dos seus livros. Um destes dias contarei como foi conviver e trabalhar com Eugénio de Andrade durante meses, um homem de quem um outro amigo meu, o jornalista e escritor Viale Moutinho, disse um dia tratar-se de uma mistura de brutalidade e ternura.


Fui rever O Poeta aos arquivos da RTP pela simples razão de um dos testemunhos ser de Eduardo Lourenço. Foi nessa altura que o conheci. Fiquei assombrado com o seu modo de habitar a poesia de um modo geral e a poesia de Eugénio de Andrade em particular. Apesar de conhecer muitos artistas, escritores, ensaístas e poetas, nunca ninguém me falara assim tão rigorosa e profundamente, despretensiosamente, como se a poesia fosse uma coisa tão natural e essencial quanto o ar que se respira.


O depoimento de Eduardo Lourenço, como outros, teve de ser reduzido em função da estratégia narrativa. Como se sabe, nestas coisas, há sempre necessidade de fazer uma seleção. Mas tenho consciência de que muito do que ficou de fora, só por si, daria um bom programa de televisão.


Já agora, quase 30 anos depois de fazer os dois documentários, continuo a visitar assiduamente Eugénio de Andrade. É um dos meus preferidos. Ele, Maria Barroso, Eunice Muñoz e João Perry fazem a leitura dos poemas. Agustina e Baptista-Bastos também passam por lá. E, claro, Mário Soares…


Estando interessados, podem ver O Poeta aqui.

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