CULTURA

  • Jorge Campos

Open Documentary

Atualizado: 12 de Nov de 2020


Alain Resnais no ano em que o IRI fez uma retrospetiva do cineasta

Quando se procura definir o filme documentário ocorre estarmos em

presença de um objecto do campo cultural que remete para o domínio de

discursos e narrativas de natureza diversa sobre o mundo real. Os discursos,

entendidos no cinema como a materialização de significados resultantes da

articulação gramatical de signos audiovisuais, são portadores de mimesis,

mas também de diegesis. A primeira remete para a imitação e a segunda

permite construir a narrativa. É nesta duplicidade de sentido, da qual o pathos

é inseparável elemento dramático, que se inscreve a ideia do filme

documentário. Mas é, também aí, nas regras a seguir para a realização da

obra de arte, que residem as maiores perplexidades quanto às narrativas do

real. O mesmo se aplica, de resto, à generalidade das narrativas. Só que no

documentário, sendo muito presente o papel da tecnologia enquanto

elemento indutor de linguagens, sempre houve lugar para um vasto campo

de experimentação, daí resultando um número praticamente ilimitado de

possibilidades combinatórias com reflexo na sua explicitação. Como tal, a

expressão open documentary é de certa forma redundante dadas as

múltiplas metamorfoses deste outro cinema no plano da historicidade. Se

agora ganha nova acutilância parece isso ser consequência de duas ordens

de factores: por um lado, o corte epistemológico do filme documentário face à formatação imposta pela vulgata televisiva e, por outro, uma cada vez maior

transversalidade das artes que abre o campo àquilo em que o documentário

sempre se sentiu muito à vontade, ou seja, a experimentação. Esta 7ª edição

do IRI reflecte isso mesmo. Beneficia de uma retrospectiva integral dos filmes

de ruptura de Alain Resnais, cineasta da modernidade, que estabelecem

entre si um fascinante diálogo entre diversas formas de expressão criativa e

de um ciclo de cinema de animação alemão ao qual não é estranha a

linguagem de alguns documentários. Tem filmes de autores que trabalham

com arquivos, fotografias e outros materiais fazendo dos seus filmes uma

permanente reflexão sobre o cinema. Tem um conjunto de masterclasses nas

quais o tema open documentary é declinado de múltiplas formas. E, como

não podia deixar de ser, tem filmes e exposições fotográficas que tanto

resultam do Mestrado em Comunicação Audiovisual do Departamento de

Artes da Imagem da Esmae, quanto dos cursos de 1º Ciclo. Finalmente, uma

nota de reconhecimento pela colaboração da Alliance Française e do Goethe

Institut. Sem eles o IRI não seria o que é.


Jorge Campos



Dia 2 de Novembro 2010

BAG

14h.30

Apresentação do Ciclo

Jorge Campos

Cinema de Animação da Alemanha

Filmes:

Drei Grazien (Três graças) (2006) de Hannah Nordholt e Fritz Steingrobe

Nomeação para o Prémio da Curta Metragem Alemã 2006, Wisbaden Film Assessment Board Rating 2006: “Highly Commended”; Menção Especial no Hamburg International Short Film Festival, 2006

Alemanha - 15’ 00’’


Wo ist Frank? (Onde está o Frank?) (2001) de Ângela Jedek

Mecon New Talent Award, Colónia, 2001

Alemanha  - 8’ 00’’

15h.30

Retrospectiva de Alain Resnais

Filme:

Coeurs (2006) de Alain Resnais

Festival de Cannes 2006: Melhor Realizador (Alain Resnais) e Melhor Actriz (Laura Morante)

França - 120’00’’

18h.00

Sessão de abertura

Intervenções institucionais

- Instituto Politécnico do Porto

- Alliance Française

- Goethe Institut

- ESMAE

- DAI - ESMAE


Filmes:

A Parideira (2010) de José Miguel Moreira

Portugal, Mestrado DAI – EMAE - 20’ 00’’

Improvisation - Les Caravanes des Mots (2010) de Jorge Campos com fotos de Olívia da Silva

Portugal – França, DAI-ESMAE / Alliance Française - 13’ 00’’

Guernica (1950) de Alain Resnais

França - 13’ 00’’

Post Card (Cartão Postal ) (2003) de Anna Matysick

Stuttgart International Festival of Animated Film; Sudwestrundfunk (SWR) Audience Award

Alemanha - 8’00’’


21h.45

THSC

Retrospectiva de Alain Resnais

Nuit et Brouillard (1955)  de Alain Resnais

Prémio Jean Vigo 1956

França - 30’ 00’’

Hiroshima mon amour  (1959) de Alain Resnais

França - 90’ 00’’


Dia 3 de Novembro

BAG

14h.00

Filme TCAV

Tempo (2010) de Edgar Sousa

Portugal – 5’ 24’’


Cinema de Animação da Alemanha

Filme:

Ego Sum Alfa e Ómega (2005) de Jan-Peter Meier”

Wisbaden Film Assessment Board Rating, 2005: “Highly Commended”: Festival of Nations, Ebensse, Áustria, 2005; Ebenseer Bear in gold; Stuttgart International Festival of Animated Film, 2006; 1st Sudwestrundfunk (SWR) Audience Award, Alpinate Short Film Festival, Nenzing, Áustria, 2005; Jean Thevenot Medal

Alemanha – 7’ 00’’


14h.30

Masterclass de Sarah Pink (Loughborough University)

“Walking at the Edge: intersections between documentary film, photography, arts and social science practice”

Sinopse:

This paper will explore how recent theoretical interests in movement and a focus on walking in documentary film, photography, arts practice and social science research can facilitate interdisciplinary exchanges. Through a discussion of theories of movement, and of examples of walking with others in ethnographic documentary film, in arts practice and in video and photographic social science research I identify points of continuity and of mutuality. I will outline how these different approaches use walking and shared movement as a principle through which to communicate about other people’s experiences. As such I will argue that by walking at the edge of these different disciplines and documentary, arts and ethnographic practices might mutually inform each other.


16h.00

Masterclass  de Floreal Peleato (cineasta e critico de cinema)


Sinopse:

“Alain Resnais: Un Mosaico de la Modernidad”

Desde sus cortometrajes Alain Resnais (Vannes, 1922) afirma con fuerza la necesidad de encontrar una forma narrativa y dramática distinta para cada relato filmado. Más allá de la diversidad de su obra permanecen su gusto por la palabra - y el teatro - y por las formas populares - la canción, el comic -, su tratamiento singular de la música, su fidelidad a un equipo de colaboradores - el público conoce sobre todo a sus actores -, sus construcciones no lineales atravesadas por el tiempo y la melancolía. A lo largo de más de medio siglo no ha dejado de ser un exploradorque merece ser calificado, más que cualquier otro director, de "moderno".

Filme:

Les Statues Meurent Aussi  (1953) de Alain Resnais e Chris Marker

Prémio Jean Vigo 1954

França - 30’ 00’’


18h.00

Materclass de José Ribeiro (Universidade Aberta)

“Cinema e Antropologia”


Sinopse;

Desde seu aparecimento, no século XIX, cinema e antropologia, desenvolveram uma história paralela e múltiplas aproximações. As mais relevantes são metodológicas e sobre a natureza das representações, isto é, a compreensão as relações entre a produção cinematográfica de uma sociedade e a vida social. Destacaremos a proximidade metodológica entre Flaherty e Malinowski, entre a montagem segundo Vertov e as fases da investigação antropológica, entre três planos na produção cinematográfica e na investigação antropológica, as consequências epistemológicas do advento do som direto no cinema e na antropologia, o advento das narrativas complexas multi-situadas e as formas exploratórias e experimentais do pós-cinema. Abordaremos as perspetivas das lições de cinema para a nossa época de Laplantine e posição e posicionalidade epistemológica, ética e política do antropólogo e do cineasta.

21h. 45

THSC

Retrospectiva de Alain Resnais

Toute la Mémoire du Monde (1956) de Alain Resnais

França - 21’ 00’’

L’ année dernière à Marienbad (1960) de Alain Resnais

Leão de Ouro no Festival de Veneza 1961

França - 89’ 00’’

Dia 4 de Novembro

BAG

14h.00

Filme TCAV

Tarik (2010) de Emanuel Lopes, Jaime Vicente e Augusto Cunha

Portugal – 6’ 36’’


Retrospectiva de Alain Resnais

Le Chant du Styrène - 19’ (1958) de Alain Resnais

14h.30

Masterclass de Margarida Ledo Andión (Univesidade de Santiago de Compostela)

 “no interior do  frame”


Sinopse:

É posíbel traballar en presente o arquivo, esa imaxe sobre a que pasou o tempo? Transformado en  material que entra en ralación  espacial con outros materiais, construído como sinal fragmentaria dun discurso, a imaxe de arquivo pode revelar ese 'trouble' elemental da procura no interior do frame.

Filme:

Cienfuegos, 1913 (2009) de Margarida Ledo Andión e Belkis Vega

Espanha, Cuba – 17’00’’

16h.00

Filme:

48 (2009) de Susana Sousa Dias

Grand Prix du Festival Cinéma du Réel 2010

Portugal – 90’ 00’’

Introdução e debate com Susana Sousa Dias


21h.45

THSC

Retrospectiva de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha

The Patchwork Queen (2001) de Lars Henkel

Kurzundschon, Cologne, 2002: 3rd Prize; Festival Internacional de Cine Universitário, Madrid, 2002: Melhor Som

Alemanha - 3’ 00’’

Muriel ou le temps d’ un retour (1963) de Alain Resnais

Festival de Veneza 1963: Prémio Volpi para Delphine Seyrig

França - 114’ 00’’

Dia 5

BAG

14h.00

Filme TCAV

Out of Service (2010) de Fábio Magalhães

Portugal – 8’ 20’’


14h.15

Masterclass de André Eckert

director do Deutsches Institut für Animationsfilm

“Cinema de Animação na Alemanha: os novos caminhos”

15h.30


Masterclass de Adriana Baptista (Escola Superior de Educação-IPP)

“Ydessa, les ours, etc: a dimensão equívoca da mostração”


Sinopse:

O documentário em Agnès Varda não parece destinado a dar a ver, mas a promover a desconfiança sistemática sobre o óbvio. Ultrapassar a dimensão do registo implica documentar o processo incerto da inteligibilidade sobre o mostrado que cada um experimenta quando vê e interpreta. Nessa medida, a realizadora faz com o espectador o percurso temporal dentro do real mas filma também a dúvida, a hipótese de interpretação e a informação que, na margem de todo o sucedido, o reveste de significado. Mas desse percurso esconde deliberadamente a designação, libertando-se, assim, definitivamente, da classificação de que todo o registo necessita. Neste caso particular, o seu documentário gere percepções, emoções e interpretações desenvolvendo lenta e progressivamente a ideia de que não basta ver e não vale dizer.

Filme:

Ydessa, les ours et etc. (2004) de Agnés Varda

França - 43’00


17h.30

Masterclass de Rodrigo Areias (cineasta)

“O meu cinema”

Sinopse:

Ainda que maioritáriamente ficção, o meu cinema parte do real e muitas vezes volta antes do fim do filme. A forma como parto para a feitura de um filme é tendo como ponto de partida o que me rodeia, quase sempre sem guião e contando com todos para o improviso.

Filmes:

Golias (2010) de Rodrigo Areias

Portugal - 9’ 00’’

Corrente (2008) de Rodrigo Areias

11º Festival de Curtas do Rio de Janeiro – Grande Prémio do Festival; 16º Curtas de Vila do Conde – Prémio do Júri: Melhor Curta Metragem Nacional; Prémio do Público – Melhor Filme; 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro –Prémio Especial do Júri; FIKE 2008 – Prémio Onda Curta; 1º Festival Internacional de Luanda – Melhor Filme; 6º Festival Internacional Black & White – Melhor Ficção; 14º Ovarvideo – Melhor Fotografia, Melhor Argumento

Portugal - 16’ 00’’

Apresentação e debate com o realizador



THSC

21h.45

Retrospectiva de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha

Yo lo vi (2003) de Hannah Nordholt e Fritz Steingrobe

Nomeação para o Prémio da Curta Metragem Alemã, 2003; Wisbaden Film Assessment Board Rating, 2003: “Highly Commended”

Alemanha – 11’ 66’’

Stavisky – 114’ (1974) de Alain Resnais

Festival de Cannes 1974: Prémio Espcial do Júri para a interpretação de Charles Boyer

França – 115’ 00’’

Dia 6

THSC

Retrospectiva de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha

15h.30

Bildfenster/ Fensterbilder (Enquadramento/ Imagens) (2007) de Bert Gottschalk

Alemanha – 6’ 00’’

Ottawa International Animation Festival, 2009: Best Expereimental/ Abstract Animation; Montageforum Film, Cologne, 207: BMW Group Grant Award for Editing; Zagreb Film Festival, Croatia, 2008: Menção Especial

Mon Oncle d’Amérique (1980) de Alain Resnais

Grande Prémio do Júri do festival de Cannes 1980

França –  125’ 00’’

18h.00

Retrospectiva de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha

Neulich 2 (Recentemente 2) (2000) de Jochen Kuhn

Alemanha – 9’ 00’’

Festival du Nouveau Cinéma , Montréal,2000: 1st Prize; Regensburg Short Film Week, 2001: 1st Audience Award; FilmArtFestival in Schwerin, 2001: Jury Award for the best short film; short cuts cologne, Cologne, 2001: Audience Award; Wisbaden Film Assessment Board Rating, 2002: “Highly Commended”

Alemanha – 9’ 00’’

Melo (1986) de Alain Resnais

França – 112’ 00’’

21h.45

Retrospectiva de Alain Resnais/ Cinema de Animação da Alemanha

Delivery (A Entrega) (2005) de Till Nowak

AFI Fest, Los Angeles, 2006: Jury Award and Audience Award; International Animation Film Festival, Annecy, 2006:Best Debut Film; Nomination for the European Short Film Award, 2006; Friedrich Wilhelm Murnau Foundation, 2006: Murnau Short Film Award; Hamburg International Short Film Festival, 2006: “Made in Germany” Audience Award; Hamburg Animation Award, 2005; 2nd Prize; OFF Barcelona, 2005: 1st Prize; International Student Film Festival in Potsdam, 2006: Best Animated Film

Alemanha – 9’ 00’’

On connait la chanson - (1997) de Alain Resnais

Prémio Louis Delluc 1997

Césars 1997 para Melhor Filme, Melhor Actor (André Dussolier), Melhor Actriz Secundária (Agnés Jaoui), Melhor Actor Secundário (Jean-Pierre Bacri), Melhor Som e Melhor Edição

França – 120’ 00’’




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