top of page
   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 6 de jul. de 2025
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025

Vincent Van Gogh. A Wind-Beaten Tree (1883).
Vincent Van Gogh. A Wind-Beaten Tree (1883).


Dia a dia

os dias desenham a penumbra na pedra,

pedra a pedra alastra o bolor lento

Em breve

o rosto será apenas o paradoxo

de uma ruína sem memória,

o tempo sem tempo

no silêncio onde esmorece

a luz efémera da paisagem

Regride o sopro na copa das árvores

E, contudo, há a brisa,

o vento



Jorge Campos

Moçambique, LM, 1971

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 17 de dez. de 2024
  • 1 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.



Albert Bigelow Paine, s.d.
Albert Bigelow Paine, s.d.

em tempos tive um gato persa negro ao qual a minha filha Aurora, então ainda pequenina, pôs o nome de Pepe por causa do defesa central da equipa de futebol do Porto. o gatinho era um prodígio. muito tranquilo e muito amigo do seu amigo. com o tempo, o Pepe cresceu e tornou-se um companheiro indispensável, ajudando-me a pensar. enquanto jovem adulto, além de um sentido de humor ferino, era de uma erudição invulgar. falava comigo com igual à vontade da Bíblia e do Kama Sutra, apreciava Britten, o que nunca entendi, e abominava os Sex Pistols, o que eu podia entender. cheguei a publicar textos dele como sendo meus, o que me granjeou uma multidão de seguidores. um dia, numa das minhas ausências, o Pepe, que não suportava a solidão, partiu. ainda hoje o remorso me persegue. dizia Mark Twain, o homem da foto, que era impossível resistir aos gatos. chegou a viver com 20, alguns deles com nomes fabulosos tais como Beelzebub, Blatherskite, Buffalo Bill, Satan, Sin, Zoroaster e Pestilence. de há anos a esta parte, os gatos também fazem parte da minha vida. tive alguns. quando me faltam, dói-me. They are the cleanest, cunningest, and most intelligent things I know, escreveu Mark Twain. é verdade. pudessem ver as conversas que mantenho com a minha gatinha Sunny, o modo como me olha, como se vem enrolar devagar no meu colo, e saberiam o que é um gato a falar com o coração.


Jorge Campos

dezembro, 2024



 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 26 de out. de 2023
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025


Marc Chagall. Les amoureux des lilas (1930).
Marc Chagall. Les amoureux des lilas (1930).

se um dia em sorte o amor me coube

foi por ter sabido no branco

da tela o segredo das cores,

do azul, do rosa e do vermelho.

no fulgor de um incêndio de cabelos

e véus desfeitos, voam as minhas

tintas como um cavalo de asas abertas:

ei-lo que segue a luz rápida dos cometas,

mergulha nas águas dos peixes

cintilantes e emerge centauro

das silenciosas luas adolescentes.

à sombra da frondosa árvore no lago

da minha aldeia de Witebsk,

Bella surge impaciente talvez do levitar

dos dedos no despertar duro

dos mamilos, da luz na boca do instante.

o tempo, suspenso no sopro amarelo

e ocre da semente do espanto,

é como uma poeira de estrelas

caindo lenta na tela maravilhada

dos meus dias.


Jorge Campos

s.d.

 
 
 
120048145_341823260208071_74511127798334

Receba a Newsletter de NDR diretamente na sua caixa de email

Todo o conteúdo © Jorge Campos

exceto o devidamente especificado.

Criado por Isabel Campos 

Ouvir

Ver, Ouvir & Ler

Ler

C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

Estático

Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

televisão sillouhette

Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

bottom of page