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   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de mai. de 2023
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025


Andrew Wyeth - Winter, 1946
Andrew Wyeth - Winter, 1946

perdi o tempo à idade,

ganhei o direito a dizer.

sem tempo caminho como se fosse vento

que arde nos sulcos do rosto.

adivinho o rumo dos passos: uma minúscula

estrela brilha no instante do olhar.

sou perene, murmúrio

dos dias.



Jorge Campos

Roma, 27 de dezembro 2022



 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 20 de jun. de 2021
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025


 Mark Rothko - No 207 (Red over Dark Blue on Dark Gray), 1961
Mark Rothko - No 207 (Red over Dark Blue on Dark Gray), 1961


manhã cedo parto em viagem de rumo incerto para lugares mais a sul onde o sol bate a prumo e só tarde se esvai no horizonte em desafios e fulgores. sigo estrada fora no rápido asfalto negro dividido por uma linha branca, desferindo uma seta de luz rumo a um tempo porventura insondável. contudo, como recusá-lo sendo caminho, pêndulo, enigma? por companhia levo o persa antigo que me fala do amor e do vinho e o alexandrino que me canta o prazer de um lenço de seda. olho em frente: antecipo o abraço de algas molhadas, ventos de direção variável, luas de noites quentes, a maravilha do minúsculo grão de areia fina, a delicada gota de água no acordar da pele. do lento movimento das marés subirá, talvez, um halo de sal, uma marca no rosto, uma deslumbrada flor de espuma no corpo a corpo dos meus dias. agarrado ao volante, despojado como as aves, vou entre o ainda vermelho da madrugada e o já claro azul do dia. viajo com parcos pertences.



Jorge Campos

julho, 2011



 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 12 de abr. de 2021
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025


Marc Chagall - O Circo, 1964
Marc Chagall - O Circo, 1964


olá aurora, vou contar-te um segredo. tu és como a lua redondinha cheia dos gatos dos teus desenhos num céu cheio de estrelas e eu vejo-te andar leve como quem dança por entre bolas de sabão coloridas à descoberta da casa das surpresas. tantas coisas me intrigam na maravilha desse teu jeito de soltar peixes voadores dos dedos do mar imenso dos teus sonhos. e, por isso, quando me pegas na mão, eu sei que me levas para um lugar onde a noite se esquece de anoitecer, onde os anjos ficam suspensos de te ver passar embalada na brisa do tempo e tu, então, perante o espanto do silêncio dos meus olhos dir-me-ás, de olhos limpos, olha pai, vê o mundo a acontecer. por isso te chamas aurora. é esse o meu segredo. hoje fazes dez anos, mas isso já tu sabias.



Jorge Campos

17 de Maio de 2011








 
 
 
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Todo o conteúdo © Jorge Campos

exceto o devidamente especificado.

Criado por Isabel Campos 

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C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

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Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

televisão sillouhette

Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

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