CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 10

Atualizado: 16 de Nov de 2020



Nuit et Brouillard (1955) de Alain Resnais. No dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha se manifestou "extremamente preocupado" pelo bem sucedido branqueamento do nazismo levado a cabo no seu país pela extrema direita; no dia em que se comemora o dia internacional das vítimas do holocausto; em mais um dia em que os sinais de uma doença que se julgava erradicada voltam a manifestar-se de forma subreptícia um pouco por todo o lado num quadro de preocupante relativismo simbólico; neste dia, a minha escolha tinha de recair neste filme. É mais um documentário. Com cerca de 50 minutos, texto de Jean Cayrol, um sobrevivente do campo de concentração de Mauthausen-Gusen e música de Hanns Eisler, Nuit et Brouillard é uma obra-prima do cinema e uma aterradora reflexão não só sobre a memória mas também, e sobretudo, sobre a responsabilidade de cada um sobre o que aconteceu. É de responsabilidade cívica, moral e intelectual que hoje é preciso voltar a falar. Porque quando se perde a batalha dos valores abre-se o campo à barbárie.

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