CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 12



O Exército do Crime (2009) de Robert Guédiguian. Neste tempo da erosão da memória, do apagão da história e de uma fé irracional no absurdo soprada por organizações que operam na rede à escala planetária, este filme deve ser visto e revisto. Transporta-nos até à França de Pétain com as suas repugnantes misérias morais, mas também, e sobretudo, com os assombrosos actos de coragem dos homens e mulheres livres que lutaram pela liberdade. A história é baseada em factos reais. Um grupo de imigrantes de diversas nacionalidades auto-denominado FTP-MOI (Franc-Tireurs Partisans - Main d' Oeuvre Immigré) liderado pelo poeta arménio Missak Manouchian (Simon Abkarian) leva a cabo inúmeros atentados bem sucedidos contra os ocupantes alemães e o seus aliados colaboracionistas. A polícia francesa e a Gestapo chamam-lhe O Exército do Crime. Na foto os seus militantes, depois de torturados, são exibidos publicamente antes de serem fuzilados em 1944, estava a guerra perto do fim. O filme tem um claro ponto de vista e é tanto mais eficaz quanto é certo reflectir também as diferenças políticas no seio da própria Resistência, bem como as diferentes sensibilidades dos protagonistas, fazendo deles personagens poderosas e credíveis. Há um lição para o nosso tempo. A cegueira conveniente tende à cegueira absoluta. Auto-justificativa. Quando se relativiza o mal acaba-se sempre por lhe cair nos braços. Resta um caminho, sejam quais forem as perplexidades. Vejam.

205 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo