CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 21



Trumbo (2015) de Jay Roach. Dalton Trumbo foi um dos grandes argumentistas de Hollywood. Filmes como Férias em Roma, Spartacus ou Exodus têm a sua assinatura. Ou melhor, nem sempre tiveram a sua assinatura, embora fosse ele o autor dos argumentos. Porquê? Porque o seu nome constava da famosa lista negra elaborada pelos anti-comunistas da indústria cinematográfica, entre os quais se destacava John Wayne, um perfeito safado reaccionário. De modo que Trumbo escrevia argumentos para sobreviver, mas outros davam a cara e o nome por ele. O filme é interessante a vários títulos, pese embora a inevitável tendência, muito americana, de deixar no ar, no final, a reconciliação das partes. O famoso processo dos 10 de Hollywood - este de que o filme fala - foi construído na base de métodos fascistas numa altura em que o FBI era controlado pela extrema-direiita e uma parte significativa da população acreditava em tudo quanto pudesse alimentar a sua paranoia anti-comunista. É curioso que, nos tempos que correm, os americanos foram os primeiros a recuperar sem tibieza a palavra fascista, enquanto na europa só agora ela começa a ser timidamente assumida apesar de todas as evidências. Madeleine Albright, por exemplo, no seu mais recente livro, classifica a caça às bruxas como uma acção fascista. O filme utiliza com critério imagens de arquivo, é rigoroso nas reconstituições, eficaz nas articulações dramáticas e tem grandes interpretações. Vale muito a pena.

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