CULTURA

  • Jorge Campos

em viagem, na pele do instante

Atualizado: 12 de Nov de 2020


Man Ray, O Beijo (1922)

A língua viaja vagarosa no arco do corpo

como se o lugar do sagrado fosse

a fenda rubra do desejo, o refúgio de mãos

errantes em busca do brilho das estrelas.


Quando os dedos de tão leves na seda das coxas

são a trégua de uma noite de prodígios,

uma pausa na água das nascentes,

uma lua azul na desordem dos lençóis,

então, o tempo não é tempo,

é o arfar secreto do silêncio, um frémito de pássaros

em suspenso, o mistério

da brisa do levante.


E a vaga navega lenta, o mar é tanto

e o olhar tão limpo

que o estertor exultante da palavra

é apenas a sílaba breve do segredo que desperta

na pele súbita do instante.


08/10/2009

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