CULTURA

  • Jorge Campos

Cinema e fascismo 20

Atualizado: 14 de Nov de 2020




No (2012) de Pablo Larraín. Em 1988, face à crescente pressão internacional, Pinochet tentou um plebiscito para se perpetuar no poder. 15 anos depois, portanto, do golpe militar que derrubara Allende instaurando uma ditadura sangrenta no Chile. É desse tempo que fala o filme de Larraín, um cineasta incómodo posto que nos seus filmes há sempre um olhar de algum modo oblíquo, uma rejeição do mundo a preto e branco. Sendo obviamente contrário à ditadura, explora aqui o sentido de uma campanha pelo Não feita em termos publicitários, segundo critérios consumistas. O Não, apesar das ameaças e da manipulação, acaba por sair vencedor e, dois anos mais tarde, abria-se uma nova página democrática no país. Só que a ideia vendida, a ideia vencedora, não foi apenas a democracia, ou melhor, foi a democracia embrulhada no celofane neoliberal. De tal modo que os Estados Unidos acabaram por apoiar financeiramente a campanha do Não para se verem livres da impopularidade do aliado Pinochet. E, claro, sem esse precioso apoio, Pinochet teve de aceitar o resultado do plebiscito. Gael García Bernal tem uma interpretação fabulosa no papel de guru da publicidade. É ele, aliás, o primeiro a perceber que alguma coisa mudara para que tudo ficasse, no essencial, na mesma. Acreditem, vale muito a pena ver este filme.

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