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CULTURA

Nós (1920) de Evgueni Zamiatine: um grande livro

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura
Boris Kustodiev - Retrato de Zamiatine (1923).
Boris Kustodiev - Retrato de Zamiatine (1923).


Nós (1920) de Evgueni Zamiatine é o livro que antecipa O Admirável Mundo Novo (1930) de Aldous Huxley, 1984 (1948) de George Orwell e Fahrenheit 451 (1953) de Ray Bradbury. na verdade, muito do que está nas distopias subsequentes já se encontra na obra deste escritor russo menos conhecido, mas de enorme talento. Zamiatine descreve uma sociedade construída na base de uma determinada engenharia social, matematizada, racional, perfeita; é o ano 3000; a cidade é de vidro, os edifícios são transparentes, não há privacidade, os humanos não têm nomes, respondem por números e funções, envergam "unifs", alimentam-se de químicos processados, deslocam-se em pequenas aeronaves e podem ter dois parceiros sexuais à escolha por semana em dias e horas certos, desde que previamente autorizados. a felicidade inerente à ordem substituiu a liberdade portadora de caos. os "números" respondem perante uma entidade superior que antecipa o Big Brolther de Orwell; na periferia, para além dos muros protetores, vivem os selvagens, recuperados por Huxley; o pensamento e a imaginação são purgados, tal como acontece em Bradbury com a queima dos livros. Nós só foi publicado na União Soviética no tempo da Perestroika. Zamiatine, ex-bolchevique e amigo de Gorky, foi viver para Paris em 1930. dito isto, porque é que me lembrei de Nós? numa roda de amigos, alguém falou deste livro como sendo uma contundente crítica do estalinismo. bom, quando foi escrito, em 1920, ainda não havia "estalinismo". é curioso verificar o que se diz da Rússia a propósito de tudo e a propósito de nada, como dado adquirido, sem se fazer uma vaga ideia do que se diz. quanto ao livro, propriamente dito, sim, é extraordinário. há uma edição portuguesa da Antígona com tradução de Manuel João Gomes.



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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

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