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CULTURA

O fascínio da Rússia

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura
Raina Maria Rilke, Lou Andreas-Salomé e o poeta autodidata Spiridon Drozhzhin.
Raina Maria Rilke, Lou Andreas-Salomé e o poeta autodidata Spiridon Drozhzhin.


o fascínio da Rússia entre abril e agosto de 1900 Lou Andreas-Salomé e Rainer Maria Rilke viajaram pela Rússia. tinham-se conhecido em 1897. catorze anos mais velha que o poeta, a escritora, ensaísta e psicanalista, tinha muito em comum com ele. desde logo, a paixão pela Rússia. Lou nascera em São Petersburgo. era fluente em russo e em francês. Rilke amava o misticismo da cultura russa, cuja influência é patente na sua extraordinária obra literária. dessa viagem resultou um diário (foto da direita), o qual, em função das reflexões nele contidas, é precioso para entender o pensamento da mulher que fascinou, entre outros, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud. o livro recupera experiências de estadias prolongadas em Kiev e Moscovo, abeira-se dos segredos de paisagens grandiosas, dos campos, das florestas, dos rios, mergulha nos mistérios do Dnieper e do Volga e presta minuciosa atenção aos detalhes, por exemplo, na descrição de monumentos e obras de arte, procurando encontrar neles marcas de uma espiritualidade distintiva. há, também, o encontro com Tolstoi, epítome do homem russo, bem como com o poeta autodidata Spiridon Drozhzhin, um camponês que os aloja numa cabana com um piso feito de toras de bétula, um banco de madeira ao longo das paredes, um samovar e feno para os animais. dito isto, Na Rússia com Rilke não é de leitura fácil. não toca na tempestuosa relação do poeta com a autora, evita o óbvio e afasta-se do registo habitual das memórias de viagens. propõe, sim um diálogo com o leitor, uma troca de ideias exigente, ou não frequentasse Lou Andreas-Salomé os grandes pensadores do seu tempo. afinal, o tipo de diálogo ausente das considerações dos camafeus do comentário televisivo que todos os dias falam da Rússia sem terem uma vaga ideia do que é aquele imenso país. é pena. ignorância e má fé só favorecem a guerra.



Comentários


Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

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Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

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