CULTURA

  • Jorge Campos

Porto 2001 - Odisseia nas Imagens X Como Salvar o Capitalismo/ Outras Paisagens 6


Com esta publicação termina a parte relativa à Programação da Odisseia nas Imagens. Seguir-se-ão notas respeitantes à avaliação que dela se fez, designadamente quanto ao cinema documental. Como facilmente resulta da leitura dos arquivos publicados, a Odisseia na Imagens foi sempre encarada como um percurso ao longo do qual se fosse tornando perceptível a afirmação de uma política cultural diferenciada, consequente com um agir local num contexto global.


Alexander Sokurov. Fonte: Revista Cinema

O trabalho de base foi cumprido. Criaram-se novos públicos e, em colaboração com as universidades e festivais de cinema estruturantes, procurou-se incentivar uma produção diferenciada no campo da curta-metragem, animação e cinema documental, bem como incursões no campos dos New Media. Nesse sentido, a Odisseia nas Imagens levou a cabo um número de acções de formação sem precedentes, envolveu o ensino superior em cerca de uma centena de produções, influenciou planos curriculares, publicou nos seus catálogos inúmeros textos de reflexão, promoveu numerosos debates e conferências, deu a ver aquilo que habitualmente não se via e bateu-se pela recuperação da memória do Porto enquanto cidade das imagens em movimento.


De certa forma, este módulo Como Salvar o Capitalismo/ Outras Paisagens, foi simultaneamente o culminar de um processo e o ponto de partida do que deveria ter sido um novo ciclo. Esse ponto de partida foi o primeiro - e único - Festival de Cinema Documental e Novos Media do Porto, obviamente designado por Odisseia nas Imagens, pensado para diversos equipamentos da cidade, mas cuja sede, no futuro, concretizado o intuito de recuperação do Cinema Batalha, deveria ali ser instalada.


Cinema Batalha. Foto: Francisco Huertas Hernández em El Acorazado Cinéfilo

Essa também a razão pela qual este módulo foi aqui especialmente detalhado. Nele estavam plasmadas as múltiplas valências de uma intervenção articulada, estruturante, pela qual passavam, por exemplo, programação da Cinemateca Portuguesa e a constituição de uma Biblioteca e Filmoteca exclusivamente dedicadas ao Cinema e às imagens do Porto. Terminada a aventura do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, a Odisseia nas Imagens surgia naturalmente posicionada para dar o seu contributo em termos da programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia dos novos equipamentos culturais da cidade, cujos auditórios de pequena e média dimensão se ajustavam a percursos e visões alternativos. O novo festival de que aqui se fala era encarado como elemento fundamental de uma estratégia de internacionalização e de estímulo à Produção nacional e ibérica.


Neste texto apresentam-se as duas competições, a global e a das escolas, e faz-se ainda referência ao fórum Choque das Imagens/ Imagens de Choque que contou com a participação, entre outros, de Ignacio Ramonet e do presidente do Festival su Scoop et du Jourmalisme de Angers, Alain Lebouc. Nos anexos, da autoria de Rui Pereira, há notícia detalhada destes eventos, em particular da conferência de Ramonet que foi participada ao ponto de deixar muitas dezenas de pessoas à porta da Biblioteca Municipal Almeida Garrett.


Godfrey Reggio. Fonte: Santa Cruz Sentinel

Fórum

O Choque das Imagens

Em colaboração com Le Monde Diplomatize

27 – 28 de Outubro

Casa das Artes – Auditório

8 de Novembro

Biblioteca Almeida Garrett


Dia 27 de Outubro

14.15h – 18:15h

Casa das Artes

1. Imagens Globais

Turbulences (1997) de Carole Poliquin, 52’

Painel

Koyaanisqatsi (1982) de Godfrey Reggio, 87’


Dia 28 de Outubro

14:15h – 18:15h

Casa das Artes

2. Equilíbrios Instáveis

L’Age de la Performance (1994) de Carole Poliquin, 53’

Painel

Powaqqatsi (1986) de Godfrey Reggio, 95’


Dia 8 de Novembro

21.30

Biblioteca Almeida Garrett

3. Propagandas Silenciosas

Com o Director de Le Monde Diplomatique Ignacio Ramonet




ODISSEIA NAS IMAGENS


Festival Internacional do Documentário e Novos Média do Porto


De 26 de Outubro a 2 de Novembro de 2001

Casa das Artes


Competição: As Regras do Jogo


A secção competitiva da Odisseia nas Imagens reúne um conjunto de filmes dos quais pode afirmar-se que de algum modo proporcionam um retrato do tempo em que vivemos. Estes filmes tanto nos remetem para o dia de hoje quanto nos solicitam o esforço de memória sem o qual o futuro é imponderável. Estamos, pois, perante uma História a fazer-se, um percurso ao longo do qual as imagens nos interpelam sobre a condição do homem e sobre a cidadania. Mas não só, porque o exercício que é feito ficaria incompleto sem uma reflexão sobre as imagens elas mesmas e o seu peculiar modo de dizer, o que nos coloca no centro dos mecanismos do trabalho de criação.


O documentário é isso mesmo. Uma modalidade discursiva que se inscreve na actualidade recolhendo os signos de diferentes sistemas de significação para proceder subjectivamente à interpelação e ficção do real. Nada mais ambíguo, por isso, do que a reivindicação de um critério de objectividade, mesmo se de carácter informativo, entendido como paradigma de um qualquer modo modo de dizer: toda a narração é construção, toda a construção é consequente do artifício e o artifício o instrumento necessário que promove o ponto de vista da realidade construída. A realidade é, pois, uma consequência da linguagem.


Mas no caso do documentário vai mais além: reclama a par do domínio gramatical e do saber fazer a presença de um olhar diferenciado correspondente a uma visão pessoal do objecto observado. É a metamorfose no âmago da qual, de uma forma aberta, reside, enquanto proposta, a chave da interpretação do mundo ou a expressão das suas perplexidades. Daí que o documentário possa ser considerado o álbum de família de um povo, de um país, do mundo global sobre o qual todos se interrogam. Por isso, o documentário é um bem público.

A selecção competitiva da Odisseia nas Imagens teve em conta este ponto de vista e reflecte, por um lado, a lógica da Programação estruturada em torno dos ciclos Como Salvar o Capitalismo e Outras Paisagens e, por outro, a observância de um critério que procurou dar enfâse à participação ibérica colocando-a em pé de igualdade com a restante participação internacional. Aparecem, assim, lado a lado, obras já premiadas nalguns dos principais festivais internacionais durante 2000/2001 - casos de Sundance, Amesterdão, Rio de Janeiro e Veneza, entre outros - e algumas das obras mais recentes produzidas na Península. Em qualquer dos casos, na sua esmagadora maioria, estaremos quase sempre na presença de filmes que passam pela pela primeira vez em Portugal.


Como sempre acontece nestas circunstâncias, muitos e bons filmes ficaram de fora. Nomeadamente no respeitante à produção nacional houve que promover escolhas nem sempre fáceis, tanto mais que se verificou uma inscrição massiva da produção mais recente. No conjunto, porém, parece-nos que esta competição, com o carácter experimental de que inevitavelmente se reveste, resulta num conjunto equilibrado onde a par de grandes nomes como Sokurov, Barbara Kopple, Chris Hegedus ou Gianikian / Ricci-Lucchi é possível partir à descoberta de autores, nacionais e estrangeiros, cujas primeiras obras criam fundadas expectativas.


Jorge Campos




O Júri


Nina Rosenblum (Presidente)


Nina Rosenblum. Fonte: NetWorthRoll

Documentarista norte-americana nomeada para os Óscares, vencedora de numerosos galardões internacionais e autora de trabalhos distinguidos com prémios Emmy. À frente de uma produtora independente, os seus filmes têm constituído uma fundamentada e sistemática denúncia dos mecanismos censórios nos Estados Unidos. Algumas das suas obras mais conhecidas e premiadas trazem à superfície aspectos dolorosamente silenciados pelo sistema mediático, como, por exemplo, o dispositivo carcerário e a punição penal das mulheres presas políticas nos EEUU.


Diego Mas Trelles


Diogo Mas Trelles. Fonte: Kouzi Productions

1954, franco argentino, é licenciado em realização cinematográfica pelo Instituto Nacional de Cinema de Buenos Aires. Autor de uma extensa obra cinematográfica como realizador, produtor e autor. Foi delegado do canal ARTE junto da RTVE no final da década de 90 e a sua actividade reparte-se pela coordenação e direcção artística de diversos festivais de cinema e audiovisual um pouco por todo o mundo. Participa regularmente como conferencista e professor na área do documentarismo em universidades de Espanha e da Argentina.


Filmografia


Mannequin, 1973; Trains, 1974; Quien te dice..., 1976; Un pays lointain, 1983; Le parc, 1986; Peter Knapp, Eppur Si Muove, 1987; École maternelle, 1988; Les lords du cricket, Seamen’s, Caravanes de la fatigue, Laicité et culte, 1989; Sida, pas une fatalité, Les doigts dans le mixeur, 1990; L’ économie sociale, 1991; Carmen Maura x 5, On ne vit qu’ une fois: La movida, 1992; Karagöz - le théatre d’ombres, Portrait de pelerins sur le chemin de Saint-Jacques, Jacques Lacarriere, El cadaver exquisito, 1993; Al fondo a la derecha, Festival de animation de Cardiff, Cyberculture, 1994; Danseu et grabeu – maleits, Pay Tv around the world, Touchdown, La noche más corta, Centro de atención telefónica, 1995;Hanae akiko, My bikini baby, 1996; Ciel mes bijoux, 1997; Pharos - sentinelles de la mer, 1998.



Amir Labaki


Amir Labaki. Fonte: Pipoca Moderna

Crítico e teórico brasileiro, é o fundador e director do «É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários», de S. Paulo e Rio de Janeiro. Autor de oito livros sobre cinema e mantendo uma actividade diversificada nas áreas do estudo e da divulgação, foi ainda director do Museu da Imagem e do Som de S. Paulo.


António Loja Neves


Jornalista, faz parte dos quadros do semanário Expresso. Tem o curso da Escola Superior de Teatro e Cinema, licenciatura de Realização, e vem-se dedicando em especial à área do documentarismo. É director de programação dos Encontros Internacionais de Cabo Verde e fez parte da equipa dos Encontros Internacionais de Cinema Documental (Malaposta) desde sua primeira edição, quando acompanhou Manuel Costa e Silva. É membro dos corpos gerentes da AporDoc, Associação pelo Documentário. Comissariou diversas retrospectivas de cinema, nomeadamente para a Culturgest (cinemas Africano, Árabe e da América Latina) e para a Culturporto (cinema Brasileiro). Foi dirigente cineclubista (Cineclube Universitário de Lisboa) e co-fundador da Federação Portuguesa de Cineclubes. Tem colaborado na programação de festivais e mostras estrangeiras, e fez parte de vários júris internacionais. Realizou Ínsula, documentário de raiz etnográfica sobre o arquipélago da Madeira, de onde é natural, e tem em fase de rodagem O Silêncio, sobre um episódio ligado à guerra civil espanhola.


António Loja Neves. Fonte: Desobedoc

Filmes em Competição


26 de Outubro – 02 de Novembro

Casa das Artes – Auditório

Preço: 500 escudos com 50% de desconto para estudantes


Dia 26 de Outubro

18H30


De Zee Die Denkt (The Sea That Thinks) de Gert de Graaf, Holanda 2000, 100’, cor, 35mm

Um escritor, apanhado entre a realidade e a ficção, é confrontado com a grande questão: como ser feliz na vida?


De Zee Die Denkt (The Sea That Thinks), de Gert de Graaf. Este filme foi diversas vezes premiado ou distinguido em 2000/2001, designadamente com o Prémio Joris Ivens no IDFA Amesterdão 2000. Fonte: IDFA

22H00


Senhorinha de José Filipe Costa, Portugal 2001, 38’, cor, Betacam SP


Memória viva de uma sociedade rural portuguesa em confronto com o mundo urbano, Margarida Senhorinha, 69 anos, interroga-se: “E agora para onde vou?”


A Negação do Brasil de Joel Zito Araújo, Brasil 2000, cor, 35mm


Um documentário de longa metragem sobre os preconceitos, tabus e trajectória das personagens negras nas telenovelas brasileiras.


Filme premiado no Festival Internacional de Documentários – É Tudo Verdade (São Paulo) 2001 e no Festival de Cinema do Recife 2001.


Dia 27 de Outubro

18H30


Sverige de Johannes Stjarnan Nilsson e Ola Simonsson, Suécia 2000, 8’, cor 35mm


Na costa Sul da Suécia um homem olha demoradamente o mar. Com uma bússola fixa o Norte. De repente começa a correr. Três dias mais tarde atinge o seu objectivo – Treriksoret, no Norte da Suécia.


Johannes Stjarnan Nilsson e Ola Simonsson. Esta dupla de realizadores tem numerosos prémios em diversos festivais como os de Toronto, Chicago, Copenhaga, Gotemburgo e Vila do Conde. Fonte: KOSTR-FILM

The Last Yugoslavian Football Team de Vuk Janic, Holanda 2000, 83’, Betacam SP


O jogo como metáfora política, ou a desagregação da Jugoslávia a partir da desagregação da sua selecção nacional de futebol.


Vuk Janic é um realizador largamente premiado em Itália, Jugoslávia, França, Monte Carlo, Amesterdão, etc


22H00


Ser Forcado de Mathias Bauer, Portugal 2001, 52’, cor, Betacam SP


Sendo um filme que pretende entender o que significa ser forcado, não é um filme sobre touradas nem pretende explicar o seu sentido.


Auto Bonus de Mika Ronkainen, Finlândia 2001, cor Betacam SP


Um filme hilariante sobre o sonho americano na Finlândia. Uma família falida junta-se à Network Markting com o intuito de ganhar um automóvel novo.


Dia 28 de Outubro

18H30


Enfermeiras do Estado Novo de Susana Sousa Dias, Portugal 2000, 50’, cor Betacam SP


Um decreto salazarista proíbe as mulheres casadas ou viúvas com filhos de exercerem enfermagem nos hospitais civis. Um testemunho espantoso do Portugal dos brandos costumes.


Susana Sousa Dias. Fonte: Delas

A Time of Love and War de Sabrina Mathews, Canadá 2000, 52’, cor Betacam SP


A história recente do mundo através da correspondência de duas mulheres, uma nicaraguense outra canadiana, ao longo de 11 anos. Da luta na guerrilha sandinista ao colapso da União Soviética o que prevalece é o sentido da amizade e solidariedade.


22H00


Las Cenizas del Volcán de Pedro Pérez Rosado, Espanha 2000, 87’, cor, 35mm


Em Janeiro de 1994, no sudeste mexicano, no Estado de Chiapas, estala uma revolta encabeçada pelo Exército Zapatista de Libertação Nacional liderada pelo Comandante Marcos. Seis anos mais tarde, o que está a acontecer em Chiapas? A resposta é dada de forma magistral neste filme de Pedro Pérez Rosado.


Dia 29 de Outubro

18H30


Perdere il Filo de Jonathan Nossiter, Itália 2000, 56’, cor, Betacam SP


Pode a arte ainda ser feita em Florença? Pode ser feita no circuito dos museus e galerias? Lorenzo Pezzatini acredita que sim. Mas para ele a arte é outra coisa: criar um colorido e infinito fio azul-amarelo-vermelho.


Jonathan Nossiter é um realizador consagrado e premiado em festivais como os de Deauville e Sundance.


Pós de Regina Guimarães e Saguenail, Portugal 2000, 48’, cor Betacam SP


Um grupo de crianças visita a exposição “Arritmia, as inibições e os prolongamentos do humano. Essa visita é o ponto de partida para uma interrogação acerca dos projectos e objectos representados. A mão do aleatório parece castigada pelo pulso férreo da ordem, em todos os domínios da criação e da pesquisa, dividindo males, águas e aldeias.


22H00


Francisco Boix Um Fotógrafo en el Infierno, de Llorenç Soler, Espanha 2000, 55’, cor/pb, Betacam SP


As fotografias de Boix, que esteve internado num campo de concentração nazi, serviram de prova no Tribunal de Nuremberga. Mas este retrato de Boix vai muito para além do registo monográfico. Inscreve-se num contexto que investiga a memória e acerta o passo com a História.


Soler é um realizador diversos vezes premiado e distinguido. Boix ganhou já o Grande Prémio do Festival Internacional do Filme de História, Pessac 2000 e foi distinguido com uma menção especial no Festival Internacional de São Francisco 2001.


Sacrifício – Who Betrayed Che Guevara de Erik Gandini e Tarik Saleh, Suécia 2001, 59’, cor, Betacam SP


Ernesto Che Guevara foi executado na Bolívia em 1967. O homem que, mais do que qualquer outro, foi considerado culpado da sua morte foi Ciros Bustos, uma antigo companheiro de Guevara. Hoje, Bustos vive na Suécia.


Sacrifício ganhou o Prémio para o melhor documentário no Festival É Tudo Verdade de São Paulo 2001.

Dia 30 de Outubro

18H30


Mais Alma de Catarina Alves Costa, Portugal 2001, 56’, cor Betacam SP


Um olhar sobre a vida no e fora do palco. O filme segue, em duas ilhas de Cabo Verde, a génese de espectáculos que serão apresentados no Festival de Teatro do Mindelo. Um músico, Orlando Pantera, indica-nos o caminho da inspiração: Mais Alma...


Extranjeros de Si Mismos de José Luis-Linares e Javier Rioyo, Espanha 2000, 84’, cor 35mm.


22H00


Alone de Audrius Stonys, Lituânia 2001, 16’, pb, 35mm


Uma criança parte para visitar a mãe que está na prisão ou o modo de reflectir sobre a solidão sem limites.


O Fato Completo ou à Procura de Alberto de Inês de Medeiros, Portugal/ França 2001, cor 35mm


De início era relativamente simples. Eu procurava um rapaz de origem africana, entre os 16 e os 18 anos, para incarnar o papel de Alberto no filme que eu acabara de escrever. Como não eram actores, pedi aos candidatos que me contassem uma história à escolha. O que me deram foi um bocado de vida, e fizeram-no com uma tal generosidade e autenticidade que era eu quam estava em causa. Seria eu capaz de reencontrar a mesmma força, a mesma emoção?


Dia 31 de Outubro

18H30


Southern Comfort de Kate Davis, EUA 2000, 90’, cor 35mm


Esta é a história do último ano de vida de Robert Eads, um transsexual feminino de 52 anos. Robert realiza finalmente o seu sonho de assistir ao Congresso Southern Confort, em Atlanta, o mais importante fórum transgênero da América do Norte. Morre em seguida.



Southern Confort é o grande Prémio para o Documentário do Festival de Cinema de Sundance 2001.

22H00


No Quarto da Vanda de Pedro Costa, Portugal/ Alemanha/ Suiça 2000, 180’, cor, 35mmm


"A vida só me tem dado desprezos. Morar em casas fantasmas, que outras pessoas deixaram. Estive em casas que nem uma bruxa queria lá morar. Mas também estive em casas que valiam a pena. Todas as casas que eu ocupei eram clandestinas. Foram as casas que as pessoas abandonaram, mas se estivesse lá uma pessoa de bem...eles até nem mandavam abaixo. E olha, foi assim, casa atrás de casa. Já paguei mais pelas coisas que não fiz, que pelas coisas que fiz."


Dia 1 de Novembro

18H30


My Generation de Barbara Kopple, EUA 2000, 103’, cor, 35mm


"A espontaneidade do concerto de Woodstock de 1969 é lendária. Vinte cinco ou trinta anos depois o que resta desse espírito de auto descoberta e de auto afirmação. É sobre isso que Barbara Kopple se interroga em My Generation para concluir, como Allen Ginsberg, que todas as gerações transportam consigo “uma fome divina de algo melhor do que aquilo que lhes foi legado."





22H00


startup.com de Chris Hegedon e Jehane Noujain, EUA 2000, 103’,cor, 35mm


A famosa equipa de documentaristas formada por Chris Hegedon, D.A. Pennebaker e pela recém chegada Jehane Noujain decidiu espreitar os bastidores do volátil fenómeno das empresas tecnológicas (startups) e retratou o agitado desenvolvimento de govWorks.com


Dia 2 de Novemro

15H00


Images d’Orient – “Tourisme Vandale” de Yervant Gianikian e Angela Ricci-Lucchi, France/Italy 2001, 62’ cor e preto e branco, vídeo digital


Images d’Orient – “Tourisme Vandale”, de Yervant Gianikian e Angela Ricci-Lucchi. Fonte: IFFR

Elegiiya Dorogi de Aleksander Sokurov, Russia/Netherlands 2001, 48’, cor, vídeo digital


Que Vivent les Femmes de Laurent Bécue-Renard, França 2000, 82’, cor, vídeo digital



Filmes em Competição (por ordem de apresentação):


De Zee Die Denkt, de Gert de Graaff

Senhorinha, de José Filipe Costa

Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo

Sverige, de Johannes Stjarne Nilsson e Ola Simonsson

The Last Yugoslavian Football Team, de Vuk Janic

Ser Forcado, de Mathias Bauer

Auto Bonus, de Mika Ronkainen

As Enfermeiras do Estado Novo, de Susana Sousa Dias

A Time of Love and War, de Sabrina Mathews

Las Cenizas del Volcán, de Pedro Pérez Rosado

Perdere il Filo, de Jonathan Nossiter

Pós, de Regina Guimarães e Saguenail

Francisco Boix, un Fotógrafo en el Inferno, de Llorenç Soler

Sacrifice – Who Betrayed Che Guevara, deErik Gandini e Tarek Saleh

Mais Alma, de Catarina Alves Costa

Extanjeros de si Mismos, de Javier Riuyo

Alone, de Audrius Stonys

O Fato Completo ou à Procura de Alberto, de Inês de Medeiros

Southern Confort, de Kate Davis

No Quarto da Vanda, de Pedro Costa

My Generation, de Barbara Kopple

Start up. com, de Jehane Noujaim e Chris Hegedus

Images d’Orient – “Tourisme Vandale”, de Yervant Gianikian e Angela Ricci-Lucchi

Elegia Dorogi, de Aleksander Sokurov

Que Vivent les Femmes, de Laurent Bécue-Renard


Elegiiya Dorogi (2001) de Aleksander Sokurov. Fonte: Cinefanías

Realizadores e outros convidados representantes dos filmes em competição:


Catarina Alves Costa, realizadora do filme “Mais Alma” (Portugal)

Javier Rioyo, realizador do filme “Extrajeros de Si Mesmos” (Espanha)

Joel Zito Aráujo, realizador do filme “Negação do Brasil” (Brasil)

José Filipe Costa, realizador do filme “Senhorinha” (Portugal)

Llorenç Soler, realizador do filme “Francisco Boix, un Fotógrafo en el Inferno” (Espanha)

Pedro Baptista, representante do filme “Ser Forcado” de Mathias Bauer (Portugal)

Regina Guimarães, realizadora do filme “Pós” (Portugal)

Saguenail, realizador do filme “Pós” (Portugal)

Silvia Lucchesi, representante do filme “Perdere il Filo” de Jonathan Nossiter (Itália)

Susana Sousa Dias, realizadora do filme “As Enfermeiras do Estado Novo” (Portugal)




DECLARAÇÃO DO JÚRI


O júri internacional gostaria de agradecer ao Porto 2001 a oportunidade de tomar contato com uma impressionante seleção de documentários, portugueses e internacionais. Um evento com o grau de excelência da Odisseia nas Imagens cumpre um papel insubstituível no estímulo à produção de documentários e na esfera dos novos media. Os nossos votos são de longa vida ao festival!


Como nenhum outro género, os documentários tornam o mundo contemporâneo menos opaco. Um grande documentário cria uma forma própria que espelha a excepcionalidade do seu tema, ou dos seus protagonistas.


Desafiado pela qualidade dos concorrentes, o júri decidiu outorgar as seguintes menções e prémios:


Menção Honrosa para: “Startup.com” de Jehane Noujaim e Chris Hegedus (Estados Unidos), pelo subtil registo de uma história empresarial que funciona como metáfora actual do sonho americano;

Menção Honrosa para: “Southern Confort”, de Kate Davis (Estados Unidos), pelo acompanhamento sensível de um casal a um só tempo igual e diferente de todos os outros;

Menção Especial para: “Elegia Dorogi” de Aleksander Sokurov (Rússia/França/Holanda), pela originalidade de seu ensaísmo poético;

O prémio de Melhor Filme Ibérico é atribuído a “Extranjero de Si Mismos” de José Luiz López-Linares e Javier Rioyo (Espanha), por combinar arrojo estrutural e raro humanismo na reconstituição da trajetória desconhecida de protagonistas anónimos do século 20;

O prémio de Melhor Filme é atribuído a “Sacrifício – Who Betrayed Che Guevara?” de Erik Gandini e Tarik Saleh (Suécia), pelo tratamento ousado e arrebatador de uma pesquisa que reescreve e humaniza a saga de um mito.



Jehane Noujaim e Chris Hegedus. Fonte: Sundance Institute


COMPETIÇÃO DE ESCOLAS

ODISSEIA NAS IMAGENS


De 13 a 17 de Novembro de 2001

Casa das Artes


Em colaboração com Escola Superior Artística do Porto, Escola Superior de Jornalismo do Porto, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Universidade Católica Portuguesa, Universidade de Santiago Compostela, Universidade do Minho, Universidade do Porto e Universidade Fernando Pessoa.


Considerada estrategicamente como o vector mais importante de toda a Odisseia nas Imagens por estar dirigido para a emergência de novos criadores e o estabelecimento de novos pólos de produção fílmica, a competição de escolas representa o culminar de um trabalho que ligou o universo do cinema e audiovisual ao da academia, designadamente com a inclusão da programação de O Olhar de Ulisses e dos restantes ciclos da Odisseia currículos universitários dos cursos relacionados com o jornalismo, o cinema, a televisão e o multimédia.


Júri de Pré Selecção:


Luís Miguel Duarte (Presidente);

Regina Pessoa;

Rodrigo Affreixo;

Bernard Despomadéres;

Francisco Duarte Mangas.


Acta da reunião final do Júri de Pré-Selecção


Aos 26 dias do mês de Outubro de 2001, pelas 15 horas, nas instalações da Sociedade “Porto 2001”, reuniu o júri de pré-selecção do Festival de Escolas no Noroeste peninsular, integrado no ciclo “Odisseia nas Imagens”, integrado por Luís Miguel Duarte, que presidiu, Bernard Despomadères, Rodrigo Affreixo e Francisco Duarte Mangas, Regina Pessoa.

Começou por proceder à pré-selecção das obras a concurso, tendo chegado aos seguintes resultados:


Documentários

Pirkko

A Saga das Carquejeiras

Porto de Imersão

Nani

É assim a vida

Gerações Siza

Afurada

Um Porto em cada ilha

Fado Menor


Reportagem

Eu sou

Bugiadas – Festa e Paixão

Web. Egg

Balcans

Lembrando Frontao

Sarela Abaixo

Letícia

Porto de Encontros

A rusga


Ficção

Um Filme sem história

Felizes para sempre

Polaroid

Um gesto azul

A Sala

Vale a pena

O meu mundo


Experimental

Porto 2 mil e 1

See TV

Zero

Lugar

Soajo

Mandalas


Animação

A Nuvem

Imprevisível

Um estranho ruído que passa


Total: 34 filmes


Seguidamente, o júri propôs a exibição das obras pré-seleccionadas em oito sessões, cuja programação se sugere:


13 de Novembro


18H30 1ª Sessão

Porto de Imersão, 25’, U. Minho (Doc.)

Felizes para sempre, 17’, U.C.P., (Ficção)

Imprevisível, 4’40, FBAUP (Animação)

Mandalas, 3’, ESAP (Exp.)

Balcans, 10’, USC (Report.)

Tempo Total: 60 ‘


22H00- 2ª Sessão

Polaroid, 10’, FBAUP (Ficção)

Porto de Encontros, 30’, ESJ (Report.)

Pirkko, 15’, ESAP (Ficção)

Estranho ruído que passa, 11’, UCP (Animação)

Tempo total: 66’


14 de Novembro


18H30 3ª Sessão

Um gesto azul, 17’, ESAP (Ficção)

Geração Siza, 36’, ESJ (Doc.)

A Nuvem, 2’, FBAUP (Animação)

Lembrando Fontão, 5’, USC (Report.)

Fado menor, 26’, ESAP (Doc.)

Tempo total: 1h26’


22H00 4ª Sessão

Vale a pena, 10’, UCP (Ficção)

Soajo, 6’, ESAP, (Experimental)

Bugiadas, Paixão e Festa, 23’, U. Minho (Report.)

Sem Título, 19’, UCP (Experimental)

A Saga das Carqueijeiras, 17’, ESJ (Doc.)

Tempo total: 1h15’


15 de Novembro


18H30 5ª Sessão

Eu sou, 31’, UCP (Report.)

Afurada, 26’, U. Minho (Doc.)

Sarela abaixo, 5’, USC (Report.)

Zero, 8’15, ESAP (Experimental)

Tempo total: 70’15

22H00 6ª Sessão

Nani, 37’, UCP (Doc)

See TV, 1’, FBAUP (experimental)

O meu nome, o meu mundo, 9’30, USC (Ficção)

Lugar, 23’, ESAP (Experimental)

Tempo total: 1h11’:


16 de Novembro


7ª Sessão – 18H30

É assim a vida, 23’, UCP (Doc)

A Sala, 14’, UCP (Ficção)

A Rusga, 28’, U.F. Pessoa (Report.)

Web.egg, 5’40, USC (Report.)

Tempo total: 70’


8ª Sessão – 22H00

Um filme sem história, 29´, UCP (Ficção)

Um Porto em cada ilha, 28’, U. F. Pessoa (Doc.)

Porto 2 mil e 1, 2’, FBAUP (Experimental.)

Letícia, 10’, USC (Report.)

Tempo total: 69’


Comentário do Júri de Pré-Selecção

Quantidades/Qualidades


Para o júri e a organização deste festival houve boas notícias e más notícias. Comecemos pelas primeiras: o número de trabalhos a concurso surpreendeu as expectativas mais optimistas. Se uma das ideias dos programadores do sector audiovisual da “Porto 2001” era ligar a programação à produção e esta às escolas, incentivando-as a criarem as suas próprias unidades de produção (e, num cenário ideal, fazendo nascer Produtoras), a contratualização com as escolas da realização de cinco dezenas de filmes deu bom resultado. Estiveram envolvidos centros e cursos da Escola Superior de Jornalismo/Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras do Porto, da Universidade de Santiago de Compostela, da Universidade do Minho, da Universidade Católica Portuguesa, da Faculdade de Belas Artes do Porto, da Escola Superior Artística do Porto e da Universidade Fernando Pessoa.


Saliente-se que todos os filmes têm qualidade boadcasting, o que obrigou a alguns investimentos sérios no equipamento.


Sendo, todos eles, trabalhos escolares, uns constituem primeiras obras, outros são da autoria de profissionais; isso explica parcialmente a extrema heterogeneidade do conjunto.


Passemos às notícias menos boas: surpreendeu a escassa quantidade de filmes de animação (apenas três), numa cidade e numa região com forte tradição nessa área. Surpreendeu ainda, nos filmes de ficção, a debilidade dos argumentos, a escassa qualidade narrativa e, talvez resultando das duas primeiras, a fraca direcção de actores.


Os filmes experimentais são, globalmente, agradáveis surpresas. As reportagens e os documentários, inversamente, ficam aquém do esperado: relativamente bem feitas mas demasiado iguais, com estruturas narrativas repetitivas, previsíveis, algo falhas de ideias.


Se há, em geral, boas bandas sonoras, a captação de som em exteriores ou em salas com muito movimento (cafés, sedes de associações), é deficiente. Também no que diz respeito à montagem nos apercebemos de que há, ainda, muito a aperfeiçoar. A fotografia é quase sempre correcta nas reportagens e documentários, menos conseguida nas ficções.


Dito isto, julgamos que se criaram algumas parcerias interessantes e se instalou boa capacidade de produção. Parece aberto o caminho para a institucionalização deste Festival do Noroeste Peninsular, em colaboração com a Universidade de Santiago de Compostela e pressupondo sempre uma forte componente académica.


Fica, sobretudo a convicção de que no Porto, será possível a curto prazo fazer documentários, curtas metragens e animação de qualidade.


Luís Miguel Duarte

Presidente do Júri de pré-selecção


Júri da Competição:

Djalme Neves (RTP);

Luís Urbano (Festival Internacional de Curtas Metragens de Vila do Conde);

Helena Santos (Casa da Animação);

Belmiro Carvalho (Cinanima)


Acta do Júri (Competição)

O Júri, reunido às 0 horas e 30 minutos do dia 17 de Novembro de 2001, na Casa das Artes, deliberou, por unanimidade:


Considerar altamente louvável e profícua a iniciativa da Sociedade Porto 2001 em celebrar com diversas escolas do norte de Portugal e da Galiza, um conjunto de protocolos que possibilitou a organização deste Festival.


Destacar a elevada e entusiástica participação das escolas e dos estudantes no evento.


Menções Honrosas


O Júri deliberou atribuir duas Menções Honrosas: Pelo rigor da estrutura formal e segurança em aspectos técnicos, ao filme de ficção “Feliz para Sempre”, de David Fialho, com produção da Universidade Católica Portuguesa..


Pela dimensão telúrica desta real ópera de silêncios, e pela capacidade de composição estética ao filme “Soajo”, realização colectiva com produção da Escola Superior Artística do Porto.


Decidiu atribuir:


O Prémio de Ficção, pela irreverência, humor e sentido crítico, ao filme “Meu Nome, Meu Mundo” de Lijó e Meixide, produção da Universidade de Santiago de Compostela.


Pela consistente articulação entre animação e fotografia, bem integrada na estrutura narrativa, o Júri deliberou atribuir o Prémio de Animação ao filme “Um Estranho Ruído que Passa”, de Alice Azevedo, Joana Araújo e Mónica Santos, com produção da Universidade Católica Portuguesa.


Na categoria de Reportagem, pela actualidade do tema, pela descoberta que possibilita de numa realidade quotidiana tão presente e pela capacidade de comunicação, o Júri deliberou atribuir o Prémio ao filme “Eu Sou”, de Cristina Verdú, com produção da Universidade Católica Portuguesa.


Pela carga simbólica que atravessa o processo da memória, no confronto latente das emoções e dos afectos com a crueza das imagens visuais e sonoras, o Júri deliberou atribuir o Prémio na categoria de Filme Experimental, ao filme “Lugar”, de André Gonçalves, com produção da Escola Superior Artística do Porto.


Na categoria de Documentário, pela riqueza documental, cuidado na pesquisa e forte dimensão humana, o Júri deliberou atribuir o Prémio ao filme “A Saga das Carquejeiras”, de Sara Ferreira e Vânia Silva, com produção da Escola Superior de Jornalismo do Porto.


Finalmente, pela invulgar qualidade global, com destaque para a estrutura narrativa, expressão artística, desempenho e direcção de actores, utilização da fotografia e dramartugia, o Júri decidiu atribuir o Grande Prémio ao filme “Um Filme sem História”, de Daniel Ribas e Pedro Cruz, com produção da Universidade Católica Portuguesa.


O Júri não pode deixar de chamar a atenção das instiuições da região para a responsabilidade de não deixar morrer ou esmorecer esta iniciativa. Bem pelo contrário, devem revitalizá-la e alargá-la pelo seu valor estruturante no panorama cultural, designadamente no audiovisual.


Outros Participantes:


Professores e alunos da Universidade de Santiago de Compostela:

Ana Golgar Salgado

Anxela Caramés

Beatriz F. Paredes

Carlos Neira

Comba C. Garcia

Laura S. Filgueiras

Marcos Perez Pena

Raquel Castro

Silvia Pardo

Xosé Soengas Perez



Encerramento do ciclo O Olhar de Ulisses 4 - Resistência

2 de Novembro de 2001, Grande Auditório Rivoli – 22H00


Limelight de Charlie Chaplin


Limelight (1952) de Charlie Chaplin

Encerramento do ciclo «O Olhar de Ulisses» - Chaplin, o grande resistente, no cair do pano deste ciclo. Revisitação à dor e ao riso na prodigiosa história de Calvero, o comediante que perde as graças do palco.


Sessão de encerramento da Odisseia nas Imagens com Claudia Cardinale

«O Leopardo» de Visconti

4 de Novembro de 2001, Grande Auditório Rivoli – 22H00


O Leopardo (1963) de Luchino Visconti

Um clássico na despedida. «O Leopardo» e Visconti, dispensam adjectivos. Simbolicamente, um regresso à pureza do cinema no tempo em que a mentalidade do “visual” de massas ameaça a cultura deslumbrada e singular da imagem. Um acto e um hino de Resistência.




Sessão de encerramento de Como Salvar o Capitalismo/ Outras Paisagens

A Greve, de Eisenstein - com música de Pedro Guedes

(Filme Concerto)

3 de Novembro de 2001

Rivoli Teatro Municipal – Grande Auditório - 22H00


Cerimónia de entrega dos prémios de competição do I Festival Internacional do Documentário e Novos Media do Porto e encerramento do ciclo Como Salvar o Capitalismo. Projecção do clássico A Greve de Sergei Eisenstein. A «montagem polifónica», na definição do próprio Eisenstein em conjugação com a música ao vivo do compositor Pedro Guedes.


Participantes:


Pedro Guedes

João Paulo Pinto

Olavo Tengner Barros

José António Pinto

Rui Pedro Teixeira

Rogério Paulo Ribeiro

Filipe Ernesto Teixeira

Carlos Azevedo

Andrés Pablo Zubiaurre

Paulo Perfeito

José Luís Rego



A Greve (1924) de Sergei Eisenstein


(Continua)


ANEXO 1



Porque é que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres? Turbulances (1998) de Carole Poliquin. Fonte: ONF

IGNACIO RAMONET NA ODISSEIA NAS IMAGENS


BIBLIOTECA ALMEIDA GARRET, 5ª feira, dia 8, 21H30


O director do «Le Monde Diplomatique», Ignacio Ramonet, dará na próxima quinta feira, 8 de Novembro, pelas 21H30, no auditório da Biblioteca Almeida Garret, uma conferência intitulada «Propagandas Silenciosas». A presença de Ramonet encerra o ciclo de debates e projecções sob o título genérico «O Choque das Imagens», organizado em colaboração com o mensário francês pelo Departamento de Cinema e Audiovisual da Sociedade Porto 2001 e inserido no último módulo da «Odisseia nas Imagens».


Ramonet abordará a temática da manipulação informativa em geral e, à semelhança do seu mais recente livro, intitulado precisamente «Propagandas Silenciosas, focará a deriva manipulatória promovida no seio do próprio campo cinematográfico.


Diversas personalidades portuguesas e estrangeiras passaram já pelo ciclo «O Choque das Imagens», discutindo tanto o modo como, nos dias de hoje, as imagens nos interpelam e as modalidades em que as interpelamos nós, também.


Nas sessões «Imagens Globais» e «Equilíbrios Instáveis», as duas anteriores, participaram diversos convidados que se encontravam a participar nas actividades da «Odisseia nas Imagens 4.0», bem como o director da edição portuguesa do «Le Monde Diplomatique», António Borges Coelho, o psiquiatra e especialista em cinema António Roma Torres, a cineasta e professora da Galiza, Margarida Ledo Andión, o investigador e académico da Universidade Fernando Pessoa, Jorge Pedro Sousa, ou a jornalista Diana Andringa.


Nessas sessões foram ainda exibidos quatro documentários de grande impacto sobre a realidade global contemporânea: «Turbulences» e «L’ Âge de la Performance», da cineasta canadiana Carole Poliquin, que no conjunto fornecem um olhar perturbador sobre a realidade da globalização. De Godfrey Reggio foram apresentados «Koyaanisqatsi» e «Powaqqatsi» dois notáveis filmes de um tetralogia que, substituindo as palavras por uma poderosa banda sonora original de Philip Glass, constituem um ensaio cinematográfico de grande universalidade.


«Propagandas Silenciosas», de Ramonet, encontra-se publicado em português pela editora do Porto «Campo das Letras», que também edita a edição em língua portuguesa do «Le Monde Diplomatique», presentemente com uma circulação que ronda os 10 mil exemplares. De Ignacio Ramonet, a mesma editora possui em catálogo a obra «A Tirania da Comunicação»


Ignacio Ramonet, além de jornalista e professor universitário, é hoje uma das vozes que mais lucidamente analisam a contemporaneidade e o fenómeno comunicacional à escala planetária.


ANEXO 2


Ignacio Ramonet. Fonte Wikipédia

IGNÁCIO RAMONET NA ODISSEIA NAS IMAGENS (1)

«OS ESTADOS UNIDOS ESTÃO A PERDER A GUERRA MEDIÁTICA»


O director do «Le Monde Diplomatique» sustentou na quinta feira à noite, no Porto, que «os Estados Unidos estão a perder a guerra mediática», considerando que, na batalha das imagens, Osama Bin Laden «surge como o grande encenador e realizador, o verdadeiro Cecil B. Demille» dos acontecimentos de 11 de Setembro e posteriores. Ignacio Ramonet falava no encerramento dos debates de «O Choque das Imagens», um dos segmentos da iniciativa «Como Salvar o Capitalismo», inserida no quarto e último ciclo da Odisseia nas Imagens, título genérico da programação do Departamento de Cinema e Audiovisual da Sociedade Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Constatando como «a lei» que vem desde a guerra do Vietname segundo a qual as guerras se ganham ou perdem, indissociavelmente, nas frentes militar e mediática, Ramonet explica essa dinâmica de desaire, antes de tudo, porque, neste caso e ao contrário do que se passou no Kosovo ou no Golfo, «a iniciativa da guerra mediática é detida pelos autores do atentado» que situaram o conflito no terreno dos «objectivos simbólicos». O que Bin Laden fez, antes de tudo, foi «impor aos media norte-americanos as imagens que ele deseja». A imagem do impacto dos aviões «contém todos os elementos hiperdesejados pelo sistema comunicacional e televisivo ocidental. É uma imagem tão forte que elimina o comentário, dispensa-o. O sistema mediático norte-americano sofreu com essas imagens um impacto tão poderoso, quanto o das torres gémeas com o embate dos aviões», analisou o director do «Le Monde Diplomatique» Ramonet observou criticamente as decisões «censórias à maneira totalitária» tomadas pela administração norte-americana, como a que interditou a difusão de imagens das vítimas. «Censurou-se o facto de que os corpos americanos pudessem ser vítimas dos atentados, numa tentativa de ocultar a fragilidade americana». Considerando «compreensível» esta política, Ignacio Ramonet analisa, todavia, que ela conferiu «a esse gigantesco crime uma aparência abstracta, desumanizada, comparável à imagem de um qualquer jogo de vídeo». Desta forma, prossegue Ramonet, o grande drama americano que podia ter suscitado, e a princípio suscitou a compaixão da opinião pública ocidental, tem visto esse sentimento vir a diluir-se. «Penso que esta ocultação das vítimas foi um erro. Aliás, um erro repetido», sustentou o comunicólogo francês, comparando a situação à ocorrida em 1941, quando os Estados Unidos proibiram a difusão de imagens de vítimas humanas do ataque japonês a Pearl Harbor, para só dois anos depois, em 1943, «com o objectivo de mobilizarem a sua opinião pública para o desembarque na Europa, autorizarem que elas fossem exibidas». Pelo contrário, os taliban, desde que começou a guerra, a 7 de Outubro, estão a mostrar as vítimas civis, através dos correspondentes e da cadeia Al Jazira, fazendo, assim, com que «uma imagem com duas ou três crianças mortas tenha tanta força como os cinco mil mortos invisíveis norte-americanos». Num outro registo, Ignacio Ramonet criticou a reacção informativa dos profissionais dos media norte-americanos após o 11 de Setembro, que classificou de abandono das regras jornalísticas que eles próprios criaram. «Todos os critérios do bom jornalismo moderno não estão a ser por eles aplicados. Demitiram-se colectivamente, numa autocensura generalizada, cujas excepções foram duramente sancionadas. O profissionalismo foi substituído, digamos, pelo patriotismo, gerando um discurso abolutamente unanimista em torno dos princípios da unidade nacional. Isto verificou-se e estendeu-se até pontos inimagináveis». Só agora, «um mês e meio depois», começam a evidenciar-se os primeiros sinais de retoma do sentido crítico, comentou o director do «Le Monde Diplomatique», sem deixar de assinalar como este facto suscitou a perplexidade e «uma imensa decepção dos profissionais europeus e internacionais do jornalismo».



ANEXO 3


11 de Setembro 2001. Fonte: Reuters

IGNÁCIO RAMONET NA ODISSEIA NAS IMAGENS (2)

«AL JAZIRA É UMA ESTAÇÃO MUITO RIGOROSA E MUITO PROFISSIONAL»


O director do «Le Monde Diplomatique» defendeu na quinta feira à noite, no Porto, que «a cadeia televisiva Al Jazira é uma estação muito séria, feita por jornalistas muito sérios, a maioria dos quais formada nas melhores escolas práticas do jornalismo ocidental». Ignacio Ramonet falava no encerramento dos debates de «O Choque das Imagens», um dos segmentos da iniciativa «Como Salvar o Capitalismo», inserida no quarto e último ciclo da Odisseia nas Imagens, título genérico da programação do Departamento de Cinema e Audiovisual da Sociedade Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura.


Depois de considerar que os Estados Unidos «estão a perder a guerra mediática», Ramonet analisou em profundidade múltiplos aspectos da «guerra de imagens» que corre em paralelo com as acções militares norte-americanas no Afeganistão e teceu críticas à política ocidental de restrição dos media.


Sobre a reacção dos poderes ocidentais ao trabalho da Al Jazira, o director do Diplomatique situou-a no campo das mentalidades. «Ao dizer que a estação era um instrumento ao serviço de Bin Laden, a administração norte-americana cometeu um erro evidente. Era falso. Aliás, começaram já a mudar de atitude» a este respeito. Mas, «por que cometeram este erro?», inquiriu Ramonet: «Porque apesar de ser uma cadeia muito rigorosa e muito profissional, a Al Jazira dá as suas notícias a partir de um ponto de vista árabe do problema. Reflecte-o, ainda que inconscientemente», respondeu.


E a administração norte-americana e a CNN «não aceitam isso, o que significa que para eles só o âmbito americano, ou ocidental é normal. Todos os que se situem fora desse âmbito, por mais rigoroso e profissional que seja, transformam-se num adversário do Ocidente», analisou o comunicólogo francês para sustentar como «isto nos dá bem a medida de até que ponto os meios de comunicação ocidentais estão imersos numa ideologia que não conseguem ver, a ideologia dos princípios e valores das sociedades a que pertencem». Trata-se de princípios e valores «respeitáveis, como respeitáveis são os princípios e valores do mundo árabe, sobretudo quando o trabalho se faz com qualidade e rigorosamente», apreciou o conferencista.


Mas é a partir desta atmosfera mental que os media norte-americanos aceitam que não se difunda as cassetes com declarações de Bin Laden, originando uma «tal intimidação que, por exemplo, a principal cadeia francesa de televisão omitiu as imagens da mais recente mensagem de Bin Laden, na linha justificativa de que pudessem existir mensagens ocultas dirigidas a comandos da organização Al Qaeda». Comparando com o seu último livro, «Propagandas Silenciosas», justamente sobre a subliminaridade das mensagens difundidas pela cinematografia e imagética televisiva norte-americana, Ignacio Ramonet ironizou dizendo que a administração norte-americana está a «dar um curso rápido de semiologia para mostrar como as imagens significam. Mas, só as de Bin Laden. Porque durante 50 anos esqueceram-se de dar qualquer lição semiológica sobre como funcionam o condicionamento e a manipulação dos espíritos a partir das telenovelas americanas, dos seus westerns e do seu cinema de terror, ou de catástrofe».


Ramonet traçou ainda um paralelo entre a «habilidade comunicacional de Bin Laden» e das suas mensagens «curtas, de três ou quatro minutos, muito simples e tecnicamente cuidadas», com as produzidas pelos iraquianos na Guerra do Golfo, fornecendo exemplos concretos «das desastrosas imagens produzidas pela máquina propagandística de Saddam Hussein» e que se viraram contra eles. O que parece, concluíu o director do «Le Monde Diplomatique», é que «os americanos ganharam brilhantemente a guerra mediática no Golfo mas, ao mesmo tempo, não perceberam por que a perdeu Saddam. E, essas, são duas coisas muito diferentes», disse.


ANEXO 4


Osama bin Laden. Fonte: Exame

IGNÁCIO RAMONET NA ODISSEIA NAS IMAGENS (3 - FIM)


GUERRA «LEGÍTIMA», SOCIEDADE «ORWELLIANA»

O director do «Le Monde Diplomatique» considerou na quinta feira à noite, no Porto, como «legítimo» o ataque dos Estados Unidos ao Afeganistão, «porque ao contrário do sucedido com o Golfo ou o Kosovo, esta guerra está autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU». Todavia, Ramonet não deixou de estabelecer à cabeça dos impactos negativos do 11 de Setembro, «a marginalização absoluta das Nações Unidas» que, ironizou, para «nos lembrarmos de que existem, tiveram de lhes atribuir o Nobel da Paz». Ignacio Ramonet falava no encerramento dos debates de «O Choque das Imagens», um dos segmentos da iniciativa «Como Salvar o Capitalismo», inserida no quarto e último ciclo da Odisseia nas Imagens, título genérico da programação do Departamento de Cinema e Audiovisual da Sociedade Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura.


O comunicólogo francês garantiu ainda que efectivamente «existem provas das ligações da Al Qaeda com os autores materiais dos atentados de 11 de Setembro», evidências que «os Estados Unidos exibiram sob a condição de confidencialidade», por razões operacionais, «aos aliados europeus e outros. Desta guerra podem dizer-se muitas coisas –acrescentou-, mas não que é ilegítima. Outro assunto é saber se os métodos que estão a ser utilizados são ou não os mais adequados. A mim não me parece que sejam». Além dos problemas geoestratégicos naquela região do mundo, derivados de uma eventual «desestabilização do Paquistão, posto o que o conflito pode atingir um patamar nuclear», Ignacio Ramonet lembrou uma dezena de fracassos recentes dos Estados Unidos na captura de individualidades non gratae. «Apenas tiveram êxito no caso de Noriega», ressalvou. Por isso, uma rápida captura de Bin Laden parece «fortemente improvável». Por outro lado, se o derrube do regime afegão parece mais viável, o director do «Le Monde Diplomatique» lembrou como «isso não significa o fim dos taliban, que passarão a um conflito de guerrilha» com consequências incalculáveis. «Esta guerra está a ser conduzida à beira do abismo», definiu.


Ignacio Ramonet sublinhou ainda, a propósito da advertência norte-americana de que a guerra contra o terrorismo pode arrastar-se por 50 anos, que uma tal orientação pode conduzir a «uma nova guerra fria». Algo «que pode transformar-se numa destruição sistemática das nossas liberdades. Podemos estar a criar uma sociedade orwelliana de controlo. Essa será mais uma das culpabilidades de Bin Laden», sustentou, ilustrando com a presente situação nos Estados Unidos: «apenas passou um mês e meio sobre os ataques e há 1200 presos incomunicados, sem notas de culpa, nada sabemos do que se passa com essas pessoas, ao mesmo tempo que alguns pedem já a legalização da tortura. Em tão pouco tempo atingiu-se uma situação extremamente preocupante», considerou.


Comentando os milhares de rumores que têm envolvido as acções militares e informativas, o académico francês considerou que eles constituem actos de resistência social. «Sempre que numa sociedade a informação é censurada, quando toda a informação provém do poder, a sociedade responde de duas maneiras: com o humor e com o rumor». Será precisamente o que está a passar-se, segundo Ramonet, para quem «apesar de muita, toda a informação é hoje a mesma. A sociedade está convencida de que a informação é manipulada. De que a informação não é um contrapoder, mas um poder tão repressivo quanto o poder político. É daí que surge e prolifera o rumor». Para ilustrar a fragilidade da democracia ocidental Ramonet agregou ainda a comparação entre a vitória eleitoral de Berlusconi e a recente eleição de Michael Bloomfeld para «mayor» de Nova Iorque: «dois milionários que se apoderam, compram, redes de comunicação e com estes elementos (dinheiro e habilidade comunicacional) conseguem quase automaticamente o poder político, sem que as forças políticas tradicionais possam opor-se-lhes, o que resulta na transformação das eleições, um momento capital da democracia, num mero protocolo».


Ramonet anunciou ainda o título do seu próximo livro: «As novas Guerras do Século XXI».


ANEXO 5


Fonte: DW

SELECÇÃO DE FOTOJORNALISMO MUNDIAL

EM EXPOSIÇÃO NA ODISSEIA NAS IMAGENS


Imagens do choque


Uma centena de fotografias galardoadas no Festival de Angers. Cem quadros de uma história de que todos fazemos parte, nem que, apenas, pela via do choque. Integrada no Ciclo Como Salvar o Capitalismo da Odisseia nas Imagens a selecção das melhores imagens de 15 anos de edições do «Festival International du SCOOP et du Journalisme» estará patente ao público entre 21 de Outubro e 12 de Novembro próximos, na Casa das Artes no Porto. Uma emoção perturbadora. Fragmentos da História de um tempo para o qual se anunciara, ironicamente, o fim da História.


A exposição insere-se nas iniciativas do primeiro Festival Internacional do Documentário e dos Novos Media do Porto, e transporta-nos da Praça Tian An Men ao martírio quotidiano da Argélia em 1997. Do muro de Berlim à fome na Somália ou no Sudão. Dos massacres no Ruanda aos bombardeamentos do Kosovo.

Na opinião do director do Festival de Angers, Alain Lebouc, para além do concurso anual reservado aos profissionais da informação audiovisual de todo o mundo, «o fundamental é o aspecto didáctico e pedagógico de que se reveste» uma realização deste tipo. «Sem um jornalismo livre não existem liberdade nem democracia. Mas esse jornalismo deve poder ser entendido por todos. Daí a necessidade de o explicar ao maior número possível de pessoas. Trata-se de um procedimento de cidadania», define Lebouc.


A selecção de imagens premiadas em Angers até ao ano 2000 foi apresentada nesse ano na Praça Tian An Men, nas instalações do palácio da Revolução, em Pequim, uma parceria com a agência noticiosa «Nova China». Depois disso, as imagens do chocante mundo em que nos coube viver têm sido exibidas em diversos países, chegando agora ao Porto, numa iniciativa do Departamento de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001, Capital Europeia da Cultura.

Através da mostra, «o público pode ficar a conhecer a actualidade mundial (...) uma espécie de “stop and go” que nos permite avaliar o estado em que se encontra a nossa sociedade: documentos frequentemente chocantes, por vezes difíceis, que são o reflexo da Humanidade. Um reflexo que nunca poderíamos obter sem os jornalistas», enaltecem os organizadores de Angers.


Anualmente, o festival de Angers, realizado sob a égide da UNESCO e do Centro Nacional de Recherches Scientifiques reúne mais de 40 mil visitantes, 10 mil dos quais participam nos debates, conferências e discussões abertas suscitadas pelas imagens expostas e a concurso. O Festival International du Scoop et du Journalisme tem como presidente honorário Edward Behr, da revista norte-am