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   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 16 de nov. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.



um grupo de selectos cavalheiros convocou um conclave nacionalista para lisboa. pelos vistos o mestre de cerimónias é o nosso bem conhecido mário machado e a guarda de honra é composta por fascistas, skinheads e neonazis de diversos países. a coisa tem contornos de secretismo. o lugar da celebração só será anunciado em cima da hora. os cavalheiros são devotos da raça, patrocinam a violência e não se deixam impressionar por campos de extermínio. pelo contrário, gostariam de repetir as circunstâncias sinistras que os tornaram possíveis. bem sei que o fascismo hoje não se esgota na antiga iconografia das camisas e bastões, na saudação romana e nas coreografias da violência. muito pelo contrário. o neofascismo avança passo a passo, anda engravatado e de braço dado com senhores da finança, cresce legitimado por bonifácios e chega ao poder na observância aparente do ritual democrático. mas, quando chegar a altura, os bonecos mascarados do mal assentam arraiais, acreditem. por isso, não os deixem à vontade. façamos frente.

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 15 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 5 de ago.

O progresso moral não pode dar-se desde que as almas só conheçam os preceitos do respeito e da obediência”. Sampaio Bruno



Interpelado por um jornalista a propósito das suas ligações ao BPN e sobre se elas não seriam prejudiciais à acção governativa, o novo ministro Rui Machete disse ser altura de pôr cobro à podridão dos hábitos políticos. Caramba, pensei eu, não posso estar mais de acordo. Em tese, claro. Porque, no contexto em que a peça subiu à cena, ou seja após a tomada de posse do governo remodelado, no Palácio de Belém, aquilo doeu como um sobressalto gratuito. Pelo menos, a mim doeu. E doeu porque o homem – de quem uma comentadora disse ser um “sage” e outra a “respeitabilidade dos cabelos brancos do PSD” – não estava só a pôr em causa a pertinência de uma pergunta de serviços mínimos que qualquer jornalista seria obrigado a fazer. Não, o homem reagiu como reagiu porque achou estranho uma pergunta daquelas ser feita a um membro da casta dos intocáveis do chamado arco da governabilidade, segundo a terminologia em voga, e, para mais um senador. Por acaso, do seu currículo, divulgado pelo governo, até tinham sumido os anos passados na SLN, a sociedade que tutelava o BPN. Mas isso era apenas um pormenor. No BPN, aliás, também só estão enterrados uns 8 mil milhões saídos do bolso dos contribuintes. Outro pormenor. Daí, evidentemente, a afronta da pergunta só poder ser explicada pela podridão dos hábitos políticos por parte, nomeadamente, de jornalistas que ainda fazem perguntas. Que desconforto, pensei eu. Como se não bastasse, a sucessão de cenas pouco abonatórias – demissões dos ministros Gaspar e Portas, encenação de um “compromisso de salvação nacional”, caso dos swaps, – ainda tinha de culminar com um apelo do primeiro-ministro a uma união nacional. Como? União Nacional? Outro sobressalto. Afinal, isto parece estar a ficar fora de controle, disse eu para com os meus botões. Na verdade, se a legitimidade dos actores políticos for medida por flagrante quebra do contrato com o eleitorado, medidas inconstitucionais, incumprimento de metas, omissão de responsabilidades, dizer uma coisa e fazer o seu contrário, em suma, publicitar como virtudes públicas os vícios privados que vão sendo varridos para debaixo do tapete, então Deus nos livre – expressão grata ao Presidente da República – do consenso proposto. Portanto, dadas as circunstâncias, ficou claro para mim ter chegado a hora, como dizia Sampaio Bruno, da prática salutar do dissenso. Dito de outro modo: pôr um travão à desordem. Até porque há indícios de sobra de um descontentamento transversal a toda a sociedade portuguesa. O insuspeito dr. Rio, por exemplo, acabou de atirar mais um torpedo ao barco à deriva do PSD. Disse ele que o dr. Menezes, seu correlegionário, fez pior a Vila Nova de Gaia do que o engenheiro Sócrates ao país. E não se ficou por aí. Eleger o dr. Menezes, dada a sua propensão para prometer tudo e mais alguma coisa, seria o equivalente a dar cabo de todo o bom trabalho que ele, dr. Rio, diz ter feito para deixar um Porto com boas contas. Como dizia o outro, eles que se entendam. Eu limito-me a anotar. E a dizer que o dissenso, ou seja a discordância, pode ter expressão formal já em Setembro quando os eleitores forem chamados a eleger os seus representantes autárquicos. Basta que digam não aos candidatos do governo, mesmo se despojados do símbolo partidário e momentaneamente convertidos à oposição. Entre eles – e não só – há, aliás, alguns de elegibilidade duvidosa, questão que, para benefício de todos, inclusivamente deles próprios, deve ser, a meu ver, esclarecida de uma vez por todas. Não sei qual será a decisão da candidatura que apoio no que toca à lei da limitação de mandatos, porque é disso que se trata. Também não sei o que tencionam fazer as outras candidaturas, embora me pareça que convivem bem com a ambiguidade. Eu não. Não gosto de consensos de deixar andar. São maus para a democracia. Sei o que pensa o BE nacional sobre esta matéria, e é muito claro. Mas, no Porto, de acordo com o que tem sido a forma processual seguida, a questão será debatida em assembleia. Por isso, quando chegar a altura, irei apresentar uma proposta no sentido de solicitar ao Tribunal Constitucional que se pronuncie sobre a situação do cabeça-de-lista da candidatura Porto Forte. Faço-o por uma questão de princípio. E por uma razão simples. Há um quadro constitucional e legal que é sistemática e, muitas vezes, impunemente violado. Ora, eu quero saber com o que posso contar. Todos temos o direito de saber com o que podemos contar. Apenas isso.


(Texto publicado em 2013 por ocasião da campanha do BE "E se virássemos o Porto ao contrário")

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 15 de nov. de 2020
  • 1 min de leitura

Fonte: Escambray

Há anos fiz uma longa viagem por Cuba. Por toda a ilha. Passei por alguns destinos turísticos a correr e fiz muitas centenas de quilómetros de carro com diversas paragens durante as quais falei com quem bem entendi. Estive em casas de cubanos. Encontrei uma sociedade contraditória - não conheço nenhuma que o não seja -, em muitos casos disfuncional, mas com um orgulho de si própria e uma alegria de viver do seu povo como nunca encontrei em mais lado algum. Obviamente, encontrei descontentes com boas razões para estarem descontentes. Mas, surpreendentemente, foi de um deles que ouvi estas palavras a propósito das consequências do embargo americano: somos pobres, mas não somos miseráveis. Fidel Castro é uma figura gigantesca. Gigantesca pela dimensão utópica, revolucionária e internacionalista, pelo pragmatismo que o levou, mal, à fronteira da distopia embora sem nela sucumbir, pelas contradições decorrentes de ter tomado medidas duras no contexto da intromissão permanente da maior potência imperialista do mundo. Antes de Fidel, Cuba era o bordel da América. Depois de Fidel, uma pátria independente. Com grandes conquistas, designadamente no ensino e na saúde. Nessa viagem fiz o percurso dos revolucionários do Gramna. Da Sierra Maestra a Havana. Visitei os lugares de resistência. Hoje, fico contente por o ter feito. Quando do célebre julgamento após o malogrado assalto ao quartel de Moncada, em 1953, Fidel disse perante o tribunal do ditador Baptista: a história me absolverá! Eu limito-me a dizer que Fidel, apesar de tantas vezes ter discordado dele, é um vencedor da História.

 
 
 
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Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

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Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

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