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   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 3 de out. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 1 de mai. de 2025




Eis a límpida fonte da alegria, o fogo verde dos pinheiros quando o verão desagua no espelho do mar e reflecte o mistério dos que pregaram estrelas na cúpula do tempo e inventaram o ritmo dos sonhos no ritmo dos animais em movimento.

Eis a leve mão tão leve soltando o pássaro da manhã, lá onde o sol aquece a boca e o ar é puro e as palavras são como peixes no lume das águas

abrindo sulcos em dunas de cores bravias.

Eis a doce vertigem das marés, seu delicado movimento levantando a brisa, depois o vento, como se no ângulo aceso das horas se ouvisse uma dança de corpos vagabundos, depois um tropel de cavalos maravilhados

cavalgando o galope dos rins violentos.

Ei-los, os viajantes do tempo sem tempo, sem norma nem clausura, trazendo no abandono dos olhos, despojados e nus, o súbito clarão da ternura.

Eis um país inocente.


Verão, 1976

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 20 de set. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 1 de mai. de 2025


Foto de Alexander Gardner, Guerra Civil Americana,1863
Foto de Alexander Gardner, Guerra Civil Americana,1863

Quando chegou a hora do combate a manhã inteira estremeceu. Incertos do papel que lhes cabia no palco onde outros encenavam tragédias de traidores e de heróis, os soldados ocuparam posições. Depois o tempo ficou suspenso ditando suas leis elementares. Tal como outras do passado, guardadas na penumbra da memória à margem da história oficial, foi uma batalha terrível. Apregoados os feitos sonoros calaram-se as armas e um vento mortífero soprou. E no campo da anunciada glória ficaram só pedras e raízes expostas e mortos de olhos abertos feridos de um súbito, insustentável espanto.


Dezembro, 1977




 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 20 de set. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 12 de set. de 2025


a imagem é do joão abel manta, claro. o texto faz parte de um outro tempo. não sei ao certo a razão pela qual decidi recuperar da arca dos desperdícios estas coisas. ou serão elas que resolveram saltar cá para fora?
a imagem é do joão abel manta, claro. o texto faz parte de um outro tempo. não sei ao certo a razão pela qual decidi recuperar da arca dos desperdícios estas coisas. ou serão elas que resolveram saltar cá para fora?

Ei-lo, o pequeno acrobata do gesto e da palavra, o exemplar chefe de família tão meticuloso no horário e empertigado na gravata, o infatigável insecto devorador de papel azul, timbrado de preferência, e nele embrulhado no cumprimento de tarefas absurdas como se nelas celebrasse o ritual dos gestos sem história e das palavras sem enredo no dia a dia dos favores de circunstância. Ele é o funcionário zeloso de um tempo de silêncio e chumbo quando a morte autoriza matar sem paixão e o vento dos cadáveres sopra favorável aos beatos da pequena intriga em nome dos altos valores da nação.


Jorge Campos

fevereiro de 1974



 
 
 
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Todo o conteúdo © Jorge Campos

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Criado por Isabel Campos 

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C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

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Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

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