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   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de nov. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025


Kazimir Malevitch - O quadrado negro, 1923
Kazimir Malevitch - O quadrado negro, 1923

Feras amáveis e urbanas sorriem

espreitando a oportunidade de caírem implacáveis

sobre a presa. Falam de nariz no ar

como quem fareja o sangue da vítima.

E a mosca zumbe no interior das suas palavras

tantas vezes sem voz, palavras pesadas

da herança de gerações que buscaram

na vertigem da arena a sua cama

e da cama fizeram a arena do ódio pequenino

jogado em jogos nem sequer de azar

porque no corpo a corpo do tédio que engendraram

tudo estava irremediavelmente previsto.

Indiferentes ao sobressalto dos dias,

tendo por cúmplice a pequena mosca familiar

de patas peludas cheias de merda,

por entre anéis de fumo bebem bebidas finas

e observam sem entender o reflexo fugaz

do espelho das imagens lentas e oblíquas.

No último farrapo do tempo, quando chegar a hora

da metamorfose irrevogável, fitando-os,

haverá uns grandes olhos parados

de granito facetado, que sorriem.


Jorge Campos

dezembro, 1976


 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 1 de nov. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 6 de ago. de 2025


Andrew Wyeth - Lovers, 1981
Andrew Wyeth - Lovers, 1981

sobre o lado esquerdo o silêncio prossegue a sua longa viagem de sal e espuma, de sol e penumbra, rente ao limiar do enigma que é murmúrio de fonte ou sopro de algas, sulco do rosto ou cicatriz do tempo. sobre o lado esquerdo há um lugar secreto, a noite de uma poeira de estrelas, uma mão precária de luar fulgente, a areia fina que foge por entre os dedos na vertigem do azul intenso. sobre o lado esquerdo respira o sinuoso traço da memória, o eco da erosão da pedra, o cristal puro da água, o tigre vigilante do mistério do anoitecer na sua condição de ser tendo sido e, de novo, ser. sob a luz vertical da manhã, entre o descampado da ausência e o sortilégio da pele, nesse instante de tudo ser nada e de nada ser tudo, súbito bate descompassado o relógio dos passos, como se fosse um mar de espanto ou uma flor do vento, um alvoroço de pássaros ou um coração ardente,

sobre o lado esquerdo.



Jorge Campos

20-10-2011

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 28 de out. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 8 de mar. de 2021


Attila Sassy. Tango


serás o murmúrio do vento

o rumor de um pássaro de fogo

a água jorrada da nascente

serás tudo isso ou tão somente

a música no rigor da cintura enleante

como se nos flancos da noite

rompesse vermelha

a faca afiada do desejo

incandescente


22-09-2010

 
 
 
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Todo o conteúdo © Jorge Campos

exceto o devidamente especificado.

Criado por Isabel Campos 

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C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

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Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

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