top of page
   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 25 de out. de 2020
  • 2 min de leitura


Em tempos, houve na RTP um programa chamado O Lugar da História. Era, modo geral, muito interessante. Evocava figuras e episódios marcantes, recuperando a memória indispensável ao conhecimento de quem somos. Em 1998, fiz para O Lugar da História um documentário sobre alguém que não só era um dos meus escritores preferidos, mas também uma das figuras mais fascinantes do século XX português: Manuel Teixeira Gomes, o diplomata e Presidente da I República que um dia se fartou da mediocridade dos contemporâneos, fez as malas e partiu para não mais voltar em vida. Encontrei o filme agora nos arquivos da RTP.

Voltando a vê-lo ao cabo de vinte e tal anos, não me parece mal dentro daquele que era o estilo do programa, conjugando jornalismo e trabalho de criação. Dediquei-o à memória de David Mourão Ferreira, outro grande escritor com quem tive o privilégio de privar e que, pouco tempo antes de falecer, aceitara ser o narrador de um documentário que fiz sobre Miguel Torga. Também pude conhecer Urbano Tavares Rodrigues, uma pessoa encantadora, cujo pai tinha sido secretário de Teixeira Gomes e Victor Vladimiro Ferreira, conhecedor ao detalhe de tudo quanto dizia respeito ao antigo presidente. Quanto a Margarida Tengarrinha, ela sempre teve em Portimão uma relação próxima com a família do biografado e, por sinal, também faz parte da minha família. Os testemunhos de todos eles são preciosos.

Na ficha técnica elaborada pela RTP para os seus arquivos, da qual constam os nomes supra, por qualquer razão, não faz parte parte o do enorme ator João Paulo Costa que leu exemplarmente os textos de Teixeira Gomes. Mas não deve o João Paulo sentir-se melindrado porque o do autor do filme, ou seja, eu próprio, também não consta.

Caso queiram, podem ver o documentário aqui.

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 16 de out. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 17 de out. de 2020



Um dos meus últimos trabalhos para a RTP foi uma História da Indústria Portuguesa, série documental em sete episódios que estreou há quase 20 anos. Raramente me lembro dela, salvo quando episodicamente me aparece sem aviso no canal Memória ou quando num encontro casual com algum dos colaboradores da altura lhe é feita referência. Não sendo dos meus preferidos entre entre aqueles que fiz - na verdade, tenho um problema com tudo o que fiz - foi uma experiência com a qual muito aprendi. Não só pude estar em contato com alguns dos melhores especialistas na matéria, mas também tive a oportunidade de conhecer os principais empresários da altura. Aliás, a produção da série contou com a participação da Associação Empresarial Portuguesa, o que, se permitiu abrir muitas portas, também trouxe alguns problemas. O casting, por exemplo, nem sempre foi inteiramente pacífico ainda que sempre se tenha chegado a acordo. Não, a História da Indústria Portuguesa não foi fácil. E, desde logo, devido à dimensão e complexidade da empreitada.

A pesquisa, levantamento, elaboração do argumento, produção, relações públicas, rodagem, montagem, sonorização e pós-produção foi partilhado com um conjunto de colaboradores de quem tenho gratas recordações. Através deles tive acesso a notáveis vestígios da arqueologia industrial, pude inteirar-me do estado da arte e beneficiei da sua visão sobre passado e presente para, de algum modo, me aventurar nas hipóteses do futuro. Neste primeiro episódio - Introdução: História, Empresa, Arqueologia - há excelentes imagens de fabulosos artefactos que suponho serem agora peças de museu. Há, também, o testemunho de historiadores que ajudam a contextualizar. E há dois empresários que dão conta de histórias de vida e do seu sentido de empresa. Negociar com eles o que podia ser filmado não foi difícil. Tive em conta as suas sugestões, fiz algumas propostas e constatei que alguns eram frequentadores assíduos dos ginásios. Caso, por exemplo, de Belmiro de Azevedo entretanto falecido. Visto à distância de 20 anos - é verdade, nunca mais vi um episódio completo salvo agora - as escolhas deles acabam por ser bastante esclarecedoras.


Ver aqui

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 4 de out. de 2020
  • 2 min de leitura


Na véspera do dia 5 de outubro de 2010, o meu documentário "O meu coração ficará no Porto" estreou no Teatro Nacional São João do Porto. A sinopse do filme é como segue:


Para muitos o dia 14 de Maio de 1958 terá sido o início do fim da ditadura em Portugal. A cidade do Porto saiu à rua para receber o General Humberto Delgado, candidato pela oposição à eleições presidenciais. Dias antes, instado a pronunciar-se sobre o destino de Salazar caso vencesse as eleições, Delgado proclamara: “Obvimente demito-o”. Foi o rastilho que incendiou o País. 50 anos mais tarde, o Porto evocou esse dia memorável em que o Povo saiu à rua numa manifestação sem precedentes, para sempre ligada ao destino do General Sem Medo.


Um pouco de história


O general Humberto Delgado foi assassinado a mando de Salazar num dia 13 de fevereiro, em Espanha, corria o ano de 1965. A brigada da PIDE que o matou era chefiada por um tipo sanguinário de nome Rosa Casaco, embora o autor do disparo fatal tenha sido um agente de nome Casimiro Monteiro. Mais tarde, no tribunal, os pides, à excepção do autor material, safaram-se e o tal Casaco, depois de uns tempos a tomar ar no estrangeiro, Viveu agradavelmente instalado em Cascais. No tempo do professor Cavaco, se bem se lembram, houve até pensões atribuídas a pides por "relevantes serviços" prestados à nação, ao mesmo tempo em que era recusada idêntica prestação ao capitão Salgueiro Maia. A foto é de um documentário que fiz há anos em colaboração com alunos, colegas e técnicos do IPP chamado "O meu Coração ficará no Porto". Estreou num Teatro Nacional de São João com lotação esgotada faz hoje 10 anos. Foi uma noite fantástica. Não sei se é bom ou mau, embora o tenha, pessoalmente, na conta de um trabalho estimável, até pelo facto de muitos estudantes, à data, nunca terem ouvido falar do general Humberto Delgado e, participando no filme, se interessaram e procuraram saber mais.


Deixo-vos o link para o caso de o quererem ver.



 
 
 
120048145_341823260208071_74511127798334

Receba a Newsletter de NDR diretamente na sua caixa de email

Todo o conteúdo © Jorge Campos

exceto o devidamente especificado.

Criado por Isabel Campos 

Ouvir

Ver, Ouvir & Ler

Ler

C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

Estático

Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

televisão sillouhette

Atualidade, política, artigos de opinião, textos satíricos.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

bottom of page