top of page
   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 21 de set. de 2020
  • 9 min de leitura

Atualizado: 1 de out. de 2020



Uma Programação do Departamento de Fotografia, Cinema, Audiovisual e Multimédia da ESMAE com o apoio da Alliance Française e do Goethe Institut no âmbito do Projecto Elysée


O Project Elysée resulta de uma parceria franco-alemã para efeito da organização de actividades culturais a desenvolver em países terceiros. Criado por ocasião do 40.° Aniversário do Tratado de Elysée pelos Ministérios das Relações Exteriores da Alemanha e da França tem por objectivo promover a visibilidade de ambos os países. O Project Elysée requer a colaboração de parceiros locais reconhecidamente qualificados, numa perspectiva de interacção criativa, por forma a tirar partido de sinergias existentes e garantir o sucesso das iniciativas programadas.


A propósito de O Poder das Imagens


Esta é a 5ª edição do ciclo de Fotografia e Cinema Documental Imagens do Real Imaginado. Desta vez escrutinamos O Poder das Imagens. Reportamos fundamentalmente à fotografia e ao cinema documental, mas não enjeitamos incursões noutros territórios. Tratando-se essencialmente de um programa escolar que, neste caso, foi pensado como plataforma inaugural do mestrado profissionalizante em Comunicação Audiovisual da Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo, é natural que haja, como sempre tem acontecido, uma preocupação de rigor na abordagem das matérias e na qualidade dos intervenientes por forma a cumprir dois objectivos: reforçar a ligação da escola ao meio profissional proporcionando aos estudantes um contacto directo com autores, investigadores e obras fundamentais; prosseguir uma estratégia de criação de novos públicos associada à criação de circuitos alternativos com reflexos, a prazo, no aparecimento de novos criadores. Este é um trabalho de perseverança, cujos resultados são já visíveis, nomeadamente nos prémios nacionais e internacionais que ano após ano os nossos alunos e ex-alunos vêm obtendo, bem como no reconhecimento que decorre dos convites para efeito de participação em numerosas iniciativas. Mas, este é um trabalho feito também a pensar no público em geral. Não faria sentido ter Manoel de Oliveira, Fernando Lopes, José Luis Guérin, Mark Durden, Mercedes Alvarez, Mike Hoolboom, Helmut Färber, Rahul Roy, Gerard Colas, Georges Dussaud e tantos outros convidados de edições anteriores e encerrá-los num conclave meramente académico. Não há escola, aliás, sem abertura para a vida nem espaço para a imaginação. Este ano, o Ciclo propõe-se interpelar as imagens no contexto das representações e narrativas sobre o mundo. Não é uma questão menor. Concreta e não geral como o termo linguístico, a imagem comunica todo um conjunto de emoções e significados como que obrigando a captar instantaneamente um todo sensorial indiviso. Então, como lidar com ela, agora, no mundo das propagandas silenciosas e das máquinas censurantes? Fazendo das suas narrativas um convite à reflexão ou sucumbindo, talvez com deleite, ao fascínio e à hipnose? Hipóteses a considerar, entre outras, em O Poder das Imagens.


Jorge Campos


Dia 3

14.00 BMAG


Apresentação do ciclo por Jorge Campos


Las Hurdes (1932) de Luis Buñuel



14.45 BMAG


Masterclass de Christian Milovanoff


Christian Milovanoff é diplomado em Sociologia e em etnografia pela Universidade d’Aix en Provence e em estudos de Arte pela Universidade de Urbino, na Itália. Professor na École Nationale de Photographie d’Arles é autor de vários estudos sobre fotografia, como “As fotografias de Claude Levi-Strauss”, e cinema, nomeadamente sobre as obras dos cineastas Johan van der Keuken e Frederick Wiseman. Foi convidado por duas vezes, entre 1981 e 1986 e 2007-2008, pelo Musée du Louvre para realizar trabalhos de fotografia a partir das obras do Museu que ali foram apresentados. Tem realizado inúmeras exposições na Europa e nos Estados Unidos.


O Poder das Imagens

Sinopse:

Desde o momento em que foi reconhecida oficialmente a fotografia apresentou-se como instrumento de identificação e apropriação da identidade, isso é instrumento de existência satisfazendo o desejo da representaço de si e do outro. Assim, com a fotografia e o cinema vai se desenhar um território onde as tecnologias do poder actuam para o melhor e o pior.


16.15 BMAG

Masterclass de Val Williams

Val Williams é professora da University of the Arts London onde dirige o Centro de Investigação “Photography and the Archive”. Editora do livro: Martin Parr: Photographic Works, publicado pela Phaidon Press em 2002 e comissária da exposição: Martin Parr: Photographic Works 1970 - 2002 da Barbican Art Gallery e do National Museum of Photography Film and TV.


Martin Parr: Photographic Works

18.15 BMAG

Abertura oficial

Alliance Française, Goethe Institut, Governo Civil do Porto, Câmara Municipal do Porto, ICA, IPP, ESMAE, ESE, TCAV/TCM, Agência de Curtas Metragens de Vila do Conde


Estreia do filme

“O meu coração ficará no Porto”

Documentário sobre a visita ao Porto do general Humberto Delgado durante a campanha eleitoral para a Presidência da República de 1958 que resulta de um acordo de cooperação do Instituto Politécnico do Porto com o Governo Civil do Porto. Uma produção dos Serviços de Vídeo do IPP com a colaboração de professores e alunos do Departamento de Fotografia, Cinema, Audiovisual e Multimédia da ESMAE e realização de Jorge Campos. 


Sinopse:

Para muitos o dia 14 de Maio de 1958 terá sido o início do fim da ditadura em Portugal. A cidade do Porto saiu à rua para receber o General Humberto Delgado, candidato pela oposição à eleições presidenciais. Dias antes, instado a pronunciar-se sobre o destino de Salazar caso vencesse as eleições, Delgado proclamara: “Obvimente demito-o”. Foi o rastilho que incendiou o País. 50 anos mais tarde, o Porto evocou esse dia memorável em que o Povo saiu à rua numa manifestação sem precedentes, para sempre ligada ao destino do General Sem Medo.


21.45 BMAG

1. Censura e Estado Novo

Filmes: O Pintor e a Cidade (1956) e A Caça (1964-1970) (Duas versões, a do autor e a censurada) de Manoel de Oliveira

Apresentação de Manoel de Oliveira 


2. O olho em estado selvagem

Introdução de Fátima Lambert

Filme-concerto

Entr’ Acte (1924) de René Clair

Projecto: musicar as imagens, «cenas quase quotidianas»

Músicos (ESE – IPP):

Maria Bernardete Felisberto – voz e outros

Sara Esteves – voz e outros

Sílvia Boga – voz e outros

Vera Ferreira – sax e outros

Raquel Fontão Barbosa – sax e outros

Carlos Ramos Silva – trombone e outros

António Vale – Guit. e outros

Sara Pinheiro – piano, voz e outros

Susana Gonçalves – piano, voz e outros


Direcção musical – Francisco Monteiro

Professor (ESE-IPP), pianista, compositor. É membro dos grupos G.M.C.L. e Oficina Musical. Diplomado em piano (U. Viena), Mestre em Ciências Musicais (U. Coimbra) e Doutor em Música Contemporânea (U. Sheffield), é investigador (CESEM) nas áreas da estética musical, da música contemporânea portuguesa e da interpretação musical.


Dia 4

Dia dedicado a Ray Müller e Leni Riefenstahl

Carta branca a Ray Müller

(a ordem da programação que se segue é flexível podendo ser alterada em função do entendimento do autor).


14.30 BMAG

Masterclass de Ray Müller

Nascido 1948, Ray Müller cursou Literatura inglesa e francesa, na Universidade de Munique. Estudou cinema em Londres e Montpellier. Depois de terminado o M.A. trabalhou como argumentista e realizador na televisão, especializando-se em documentários. O seu filme mais conhecido e premiado é The Wonderful Horrible Life of Leni Riefenstahl. Ray Müller é professor convidado da Universidade de Berkeley, Califórnia, desde 2006.


Um pacto com o diabo



16.30 BMAG

Filme:

O mundo maravilhoso e horrível de Leni Riefenstahl (1993) de Ray Müller

Apresentação de Ray Müller


Filme:

Um Sonho de África (Ein Traum Von Afrika)(2003)de Ray Müller

Apresentação de Ray Müller


21.45 BMAG

Filme:

Olimpíada (1938) de Leni Riefensthal

Apresentação de Ray Müller


Dia 5

14.30 BMAG


1. Escolas - O Ensino e as Representações do Mundo

Universidade de Newport, Reino Unido Ken Grant

Universidade de Tübingen, Alemanha - Ulrich Hägele

Escola de Fotografia de Arles e Museu do Louvre – Christian Milovanoff


17.30 BMAG

2. Escolas - O Ensino e as Representações do Mundo

CTCAV/ CTM (IPP), Portugal - Olívia da Silva

Universidade de Santiago de Compostela, Galiza - Margarida Ledo Andión

Karel de Grote Hogeschool, Bélgica - Els Fieuw e Ineke Mertens


21.45 BMAG

Memória e esquecimento

Filmes:

Nuit et Brouillard (1955) de Alain Resnais


A Nossa Música (2004) de Jean-Luc Godard

Apresentação de Frédéric Sabouraud


Dia 6

14.30 BMAG

Masterclass de Ulrich Hägele

Ulrich Hägele tem formação em Estudos Culturais e História da Arte pela Universidade de Tübingen. Curador de Museus e redactor de Rádio na emissora SWR em Estugarda e Baden-Baden. É investigador em Ciências da Comunicação na Universidade de Tübingen e especialista em Propaganda do III Reich.


A Fotografia e o III Reich



17.30 BMAG

Masterclass de Frédéric Sabouraud

Frédéric Sabouraud é professor de cinema na Universidade de Paris 8 ( Estética do filme documentário e de ficção e escrita de argumento). Organiza e dirige ateliers de escrita e realização em França e no estrangeiro. Ė tambėm realizador ( “ Sans faire d’histoires “ 2006 ) e crítico de cinema. Foi membro da direcção da redacção dos “Cahiers du Cinéma “ e é colaborator das revistas “ Trafic” e “Images documentaires”. Ensaista, é autor de várias obras entre as quais: “ L’Adaptation au cinéma”, “Histoire du cinéma iranien 1900-1999” e “Depardon/Cinema”.


Filmar o que desapareceu

A propósito do filme S21, La machine de mort Khmère rouge (2004) de Rithy Panh


Sinopse:

Interrogar “os poderes da imagem” através das tentativas do cinema para encenar a recordação, não só como meio para relatar um acontecimento passado, mas, também, como acta de memória, de ficção, de reconstrução, como processo da representação de representações.


21.45 BMAG

Filmar o quotidiano

Filme:

O Sabor da Cereja (1997) de Abbas Kiarostami

Apresentação de Frédéric Sabouraud


Dia 7

14.30 BMAG

Masterclass de António Pedro Vasconcelos

Frequentou o Curso Superior de Filmografia na Universidade de Paris IV e é um dos cineastas representativos do Cinema Novo Português com o filme Perdido por Cem (1973). Responsável por alguns dos filmes portugueses de maior sucesso comercial como O Lugar do Morto (1984) e Jaime (1999), a sua obra tem sido reconhecida em diversos festivais internacionais. Participou na criação da V.O. Filmes, da Opus Filmes e ainda do Centro Português de Cinema que produziu a maior parte dos filmes do Cinema Novo. Foi chefe de redacção, com João César Monteiro, da revista Cinéfilo e colunista da revista Visão, entre outras publicações. Presidiu ao grupo de trabalho encarregado pela Comissão Europeia de fazer o Livro Verde para a Política do Cinema e Audiovisual e exerce funções docentes na área do cinema e da televisão no ensino superior.


Imagens da guerra colonial

Sinopse:

“A Câmara não é uma janela, é um cache” (André Bazin). O problema da honestidade no documentário. Ir à procura, dez ou quinze anos depois, do que escondem as imagens que nos são apresentadas como de reportagem, com a caução do real. O documentário como reacção à reportagem e às suas manipulações: a montagem, mas também a própria imagem, o enquadramento: que verdade há num testemunho enquadrado de tal forma que não vemos o revólver apontado, fora de campo, à cabeça do entrevistado?


Filme:

Adeus e até ao meu regresso (1974) de António Pedro Vasconcelos

17.30 BMAG

Masterclass de José Manuel Costa

Licenciado em Engenharia, José Manuel Costa desempenhou, desde 1975, diversas funções na Cinemateca Portuguesa tendo sido, nomeadamente, seu vice-presidente e responsável pelo ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento). Foi presidente da Associação das Cinematecas Europeias durante vários anos. Lecciona História do Cinema e do Documentário na Universidade Nova de Lisboa e é o responsável do Curso de Vídeo e Cinema Documental na Escola Superior de Tecnologia de Abrantes.  

O Regresso aos Kinoks

A propósito da interrrogação sobre o lugar do cinema hoje, breve evocação da ruptura modernista de há um século (período 1908-1930) e da relação do cinema e das outras artes neste contexto. De onde o cinema é visto, de onde o cinema vê.

Excertos de filmes de Dziga Vertov


21.30 BMAG

1. O Poder das Imagens: curtas políticas ou politicamente incorrectas

Filmes:

Selecção de curtas metragens políticas da Agência da Curta Metragem de Vila do Conde


Superfície de Rui Xavier

Portugal 2007 Fic 13'

Betacam SP PAL


Sinopse:

Por muito calma que pareça a superfície do oceano, cada vez que cruzamos a linha, que divide a terra do mar, entramos num mundo desconhecido e imprevisto. Ao voltarmos à terra será que o nosso mundo se mantém igual?


Plot point de Nicolas Provost

Bélgica 2007 doc/Exp 15'

Betacam SP PAL


Sinopse:

A real e muito famosa ‘cop land’ americana com as suas sirenes de carros de polícia, fardas, ambulâncias e ruas apinhadas de gente, facilmente se transforma num cenário de cinema perfeito, pondo não só em questão os limites entre realidade e ficção, mas também os códigos da narrativa cinematográfica (a curva de tensão, o climax, o ‘plot point’), brincando com as nossas expectativas e deixando o mistério por desvelar.

The adventure de Mike Brune

EUA 2007 Fic 22'

35 mm


Sinopse:

Um casal de reformados de classe média faz um passeio no parque para desfrutar de um piquenique. A serenidade de uma refeição íntima na natureza é destruída pelo aparecimento de um mimo consternado que foge de uma misteriosa ameaça. Enquanto o mimo explica o seu drama através de uma elaborada performance, o homem e a mulher aborrecem-se e ficam indiferentes, limitando-se a esperar pelo momento de pagar ao “artista de rua” e irem-se embora. Os seus esforços fracassam. Antes que consigamescapar, passam de espectadores inactivos a participantes contrariados num crime imaginário que expõe mistérios perturbadores sobre performance, empenho e violência.


Le soleil et la mort voyagent ensemble de Frank Beauvais

França 2006 EXP 11'

35 mm


Sinopse :

Nunca mais as cores, nunca as folhas ou olhares. Tudo engolido numa estranha catástrofe. Tudo despedaçado. A única coisa que resta do universo que se desmorona é esta barraca cheia de gente que se acotovela. Está tudo morto e vazio. Georges Hyvernaud "Skin and bones"


Apresentação de Nuno Rodrigues (Festival de curtas metragens de Vila do Conde)


2. O Poder das Imagens: a comédia ao poder

Filme-concerto:

A princesa das ostras (1919) de Ernst Lubitsch

Introdução de Jorge Campos

Improvisação sobre o filme A Princesa das Ostras



Combo (ESMAE – IPP)

Voz: Rita Martins

Guitarra: Carla Seiça

Contrabaixo: João Cação

Piano: Juan Buenafuente

Saxofone Alto: João Martins

Ossi Nuermela: Bater


 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 21 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 2 de mar. de 2021



O Ciclo de Fotografia e Cinema Documental Imagens do Real Imaginado é uma iniciativa dos Cursos de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e de Tecnologia da Comunicação Multimédia da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Instituto Politécnico do Porto que se realiza anualmente em Novembro. Vai agora entrar na sua 6ª edição denominada Rosto Transversal.

O Ciclo não se destina a competir com os festivais, é antes um fórum de reflexão sobre matérias que sendo do âmbito dos planos curriculares interessa igualmente ao público em geral numa perspectiva de abertura da escola à comunidade. Foi concebido em função de três eixos estratégicos:


- como forma de dar maior visibilidade ao Curso, estreitando os laços com o exterior e, em particular, com o meio profissional onde, aliás, tem tido grande aceitação, na perspectiva da adequação à Declaração de Bolonha;


- promover a internacionalização através de um número sempre crescente de parcerias e proporcionar aos estudantes o contacto directo com obras, artistas e especialistas cuja acessibilidade, de outro modo, seria praticamente impossível;


- lançar as bases de um Mestrado em Produção e Realização Audiovisual (já concretizado) e promover uma linha de formação de novos públicos em função da qual a iniciativa viesse a ter uma importância crescente no panorama cultural da cidade do Porto. 


Todos os objectivos têm vindo a ser integralmente cumpridos. Conta já entre os seus parceiros regulares com a Alliance Française, o Goethe Institut, a Universidade de Newport (UK), o Instituto de Cinema e Audiovisual e o Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde. De ano para ano tem vindo a conquistar um número crescente de público, na sua maioria jovem. A última edição, cujo tema foi O Poder das Imagens, marcou oficialmente a abertura do Mestrado, serviu para fazer a ante estreia do documentário O Meu Coração Ficará no Porto sobre o dia 14 de Maio de 1958, data da célebre acção de campanha do General Humberto Delgado e deu a ver trabalhos em parceria com outras escolas do universo IPP no âmbito da criação e execução de partituras musicais especialmente concebidas para clássicos do cinema francês e alemão.


Todas as edições são programadas em função de um tema cuja abordagem se faz em termos da exibição comentada de filmes, fotografias, projectos multimédia e outras intervenções como sejam masterclasses, conferências e workshops. Há sempre um espaço para mostras de trabalhos de professores e estudantes dos Cursos, bem como de outras escolas portuguesas e sobretudo estrangeiras, no âmbito das relações internacionais entretanto estabelecidas. A designação para o ano em curso é Rosto Transversal e obedece a um conjunto de declinações que toma a centralidade do rosto como elemento de referência no contexto de uma abordagem transversal das artes.


Habitualmente, o Ciclo é programado uma vez feito o balanço da edição anterior pelas partes envolvidas e após a publicação dos materiais correspondentes, os quais cumprem, igualmente, uma função de divulgação. O balanço tem lugar em Janeiro, logo aí ficando acordado o tema da edição seguinte, bem como uma lista de possibilidades que é afinada em Março e Abril e concluída em finais de Maio, princípios de Junho.

Jorge Campos

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 21 de set. de 2020
  • 18 min de leitura

Atualizado: 25 de ago. de 2022



Em Du Visage au Cinema, obra capital para melhor se entender a centralidade do rosto no cinema, Jacques Aumont, logo após o prólogo, recorre longamente a Platão.  Em resumo, no essencial: à semelhança da forma do universo que é redondo, diz Platão, os deuses encadearam duas revoluções divinas e fizeram o homem. Criaram um corpo esférico, a que agora chamamos cabeça, a parte mais divina e que tudo comanda, e deram- lhe um suporte, um tronco com braços e mãos, e pernas. Nesse globo superior, na sua parte frontal, fizeram o rosto moldando os órgãos da percepção do mundo e assim abriram a porta à sempre enigmática revelação da alma.


E por falar em alma: quando falamos do rosto no cinema o que ocorre de imediato, pelo menos a mim, é o grande plano no feminino, absoluto, arrebatador, definitivo: Falconetti em La Passion de Jeanne dʼ Arc de Dreyer, Anna Karina em Vivre sa Vie de Godard numa sala de cinema diante de um ecrã onde essa mesma Falconetti de um único filme aparece martirizada em nome de Deus por vontade dos homens, as extraordinárias mulheres de Bergman, Dietrich enquanto paixão desenhada pela luz de Von Sternberg. E claro, aquela imagem de horror desmedido da mulher que perdeu o filho no Potenkim fixando a exigência da revolta para a eternidade. Pois bem, se o fascínio existe perante os rostos de tão extraordinárias personagens e da arte suprema que, tal como os deuses, pode conferir a aura do mito aos semi-deuses que ela própria criou, nem por isso, por esta vez, será esse o nosso percurso.


O rosto aqui será encarado no contexto de um universo de possibilidades combinatórias atravessando transversalmente a fotografia, o cinema, o teatro e até as artes digitais, mas não deixando por isso de ser a parte  daquela pequena esfera em cuja região frontal ganham expressão as metamorfoses reveladoras da infinita gama de emoções temporalmente contidas numa escala situada entre a vida e a morte, tendo como suporte, é certo, um tronco com braços e mãos, e pernas, afinal, 

também ele expressivo, flexível e significante. 


Nesta sexta edição do Ciclo de Fotografia e Cinema Documental “Imagens do Real Imaginado”, que não é um festival, mas antes um fórum de reflexão e um espaço lúdico de atracção onde convergem estudantes, artistas, professores e público em geral, há, como sempre, um projecto pedagógico, bem como a possibilidade  de empreender derivas criativas em função da imaginação e dos interesses de cada um. Dois exemplos: seguir a par e passo a integral das curtas metragens de Agnés Varda, que se mostra pela primeira vez em Portugal ou observar as transformações fisionómicas de Klaus Kinsky através de um conjunto de filmes de Werner Herzog os quais permitem ilustrar o trabalho do actor ou do rosto do actor. Juntem-se articuladamente as masterclasses, filmes, exposições, performances e filmes-concerto e compreender-se-á melhor o sentido deste ciclo, bem como a urgência de dar a ver ao mundo um real imaginado. 


Jorge Campos


2 NOV. SEGUNDA

BMAG

14.30 – 15.30 h 

Masterclass de Rita Castro Neves

Expôr fotografias


Visionando exemplos práticos – de Richard Avedon a Wolgang Tillmans - analisaremos

diferentes soluções de montagem de exposições fotográficas para diferentes projectos e diferentes mensagens. Condicionamentos conceptuais, espaciais, atmosféricos e

orçamentais, bem como escala, ritmo, ambiente, dramaturgia, encenação e iluminação serão analisados enquanto elementos a atentar na recepção e na produção de uma exposição fotográfica. Os conceitos de white cube, black box, espaço alternativo, land art, arte pública, site-specific e instalação ajudar-nos-ão a compreender - também historicamente - as possibilidades em causa e as soluções contemporâneas.

Rita Castro Neves (1971).

Vive e trabalha no Porto. Acabou o Curso Avançado de

Fotografia do Ar.Co (Lisboa) em 1995 e o Master in Fine Art da Slade School of Fine Art

(Londres) em 1998, tendo desde então exposto regularmente em Portugal e no estrangeiro, tanto em espaços estabelecidos (Museu de Arte Moderna da Bahia, Brasil, Spike Island, Bristol, The Courtauld Institute of Art, Londres, Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto) como em locais ditos não convencionais (escola primária, apartamento alugado, casa de banho pública, loja de discos, montra de um restaurante). Desenvolve projectos de curadoria em artes plásticas e na área da Live Art, de onde destaca o TRAMA - Festival de Artes Performativas. É professora de fotografia e vídeo em várias instituições.

www.ritacastroneves.com

2 NOV. SEGUNDA

BMAG

16.00 – 17.45 h 

Masterclass de Pedro Sena Nunes

A Paisagem e o Rosto, O Rosto e a Paisagem

O que pode e aguenta um rosto? O meu cinema é muitas vezes o cinema do rosto do outro que por sua vez se torna no meu, vivemos numa relação de espelhos e reflexões que nos fazem produzir imagens profundas e celebrativas da vida. Acontece tudo em simultâneo. Há rostos que não se filmam e há rostos que contam histórias depois de filmados. No meu cinema interessam-me as pessoas que me permitem ter tempo para as olhar e filmar. Procuro o tempo da memória. Lembro-me de algumas personagens que criei e outras que vivi. É difícil ficar quieto, e lembrar. Lanço-me num espaço de exploração, pessoal, com um desafio imenso. Raramente se sabe quando as coisas começam e acabam. Estou mais habituado a contar histórias com os rostos dos outros.

Filmes: 

Fragments between time and angels de Pedro Sena Nunes (1997, 52', 

video) 


Quem vê uma coisa, só a vê uma vez. Este é o resultado de uma residência artística

centrada no confronto com o desconhecido. Este documentário trata os temas da morte e do nascimento através de um conjunto de retratos fílmicos construídos em torno da experiência do olhar e do tempo. Este é um trabalho de partilha com as pessoas que conheci ao longo dos 4 meses em Glasgow e é um filme sobre a invisibilidade. Ninguém faz filmes de olhos abertos, todos os vêem no escuro.


Impressões do 3º dia em Glasgow de Pedro Sena Nunes (1997, 10ʼ,

video)

Pedro Sena Nunes. Realizador, Produtor, Fotógrafo, Viajante e três vezes Pai, nasceu

em Lisboa a 18 de Maio de 1968. Terminou o Curso de Cinema em 1992 na Escola Superior Teatro e Cinema, depois de frequentar Engenharia de Máquinas no Instituto de Engenharia de Lisboa em 1989. Co-fundou a Companhia Teatro Meridional, na qual é responsável pela área audiovisual. Entre Barcelona, Lyon, Sitges, Budapeste, Lisboa e Florença participou em cursos e workshops de cinema, fotografia, vídeo, teatro e escrita criativa. Realizou documentários, ficções e trabalhos experimentais em cinema e vídeo e produziu mais de 100 spots publicitários para a televisão e rádio. Foi bolseiro de várias instituições – Gulbenkian, Universidade de Ciências Lisboa, Pépenières, Visions. Regularmente colabora com coreógrafos, encenadores, artistas plásticos, actores, designers, escritores, músicos e arquitectos. Foi fundador da Avanti.pt, Apordoc e Associação Portuguesa de Realizadores e é consultor artístico da Associação VoʼArte e de outras associações e projectos artísticos pontuais. Nos últimos 14 anos tem-se dedicado simultaneamente à área da pedagogia, criando e dirigindo laboratórios dedicados à criação e à experimentação, tanto documental, como ficcional. Foi Director Criativo e Pedagógico da ETIC. No seu extenso currículo, conta com vários prémios e distinções nas áreas de fotografia, vídeo e cinema.


2 NOV. SEGUNDA

BMAG

18.15 – 20.00 h 

Sessão de abertura 

Intervenções: DAI / ESMAE / IPP, Alliance Française, Goethe Institut, CPF – 

Centro Português de Fotografia, University of Wales 

Produções de fotografia e vídeo do mestrado em Fotografia e Cinema

Documental

Apresentação de Olívia Silva 

Introdução à retrospectiva de curtas metragens de Agnés Varda por 

Floréal Peleato 

Filmes: 

Curtas “Turísticas” de Agnés Varda 

Ô Saisons, Ô Chateaux (1957) - 21ʼ00ʼʼ, video 

Plaisir dʼamour en Iran (1976, 6ʼ00ʼʼ, video 

Du côté de la cote (1958, 26ʼ00ʼʼ, video)


2 NOV. SEGUNDA

PASSOS MANUEL

21.45 h 

Os cineastas e os seus filmes 

Pedro Sena Nunes

filme: 

A Morte do Cinema (2002, 30ʼ, video)

Murmúrios do tempo – performance 25ʼ

Dânia Lucas e Paulo Martins


3 NOV. TERÇA

BMAG

14.15 - 15.30 h 

Masterclass de Mark Durden

Dorothea Lange  in 1936; by Paul S. Taylor

This is America: documentary photography of the 1930s and 1940s

Mark Durden will discuss a major exhibition of 250 Farm Security Administration and related documentary photographs he curated for  The Lowry in Salford, UK, 2003/4.  The exhibition included a diverse range of iconic and lesser-known photographs by Dorothea Lange, Walker Evans, Gordon Parks, Margaret Bourke-White, Marion Post Wolcott, Russell Lee, Arthur Rothstein and Ben Shahn. One key theme of the show concerned the way a number of these photographers critically exposed the racism of American culture. Parks's portrait of the black cleaner, Ella Watson, posed against the Stars and Stripes, was the provocative focal point of the show and the counterpoint to Lange's more well-known Migrant Mother. The exhibition also introduced the less familiar FSA colour work of Post Wolcott and Russell Lee.

Mark Durden

Mark Durden is Professor in Photography at Newport School of Art, Media and Design,

University of Wales, UK.  He has published over a hundred reviews and articles on

contemporary art and photography. He wrote the essay for Daniel Blaufuksʼ show at Solar,May/June 2009.  His most recent book, co-authored with David Campbell, Variable Capital, considers the relationship between art and consumer culture and was published by Liverpool University Press in 2007.  He curated a major show of FSA photography, ʻThis is Americaʼ, for the Lowry, Salford, UK in 2004/5 and was the author of the book on Dorothea Lange for the Phaidon 55 series in 2002.

15.45 – 17.00 h 

Masterclass de Floréal Peleato

O Rosto no Cinema

Floréal Peleato. Auteur de deux scénarios de long-métrage de fiction (lʼun sélectionné par le biais du concours organisé par la Casa de América puis par le programme européen Equinoxe, lʼautre sélectionné dans le cadre du programme européen Mediscript), dʼun recueil de nouvelles (Prix Rafael González Castell 2008), dʼun roman récemment terminé, de trois courts-métrages de fiction, dʼun scénario de film documentaire en phase de développement. Par ailleurs, animateur dʼateliers dʼécriture de scénario (Colombie, Pérou, Panama, Bolivie, Espagne), de cours concernant le cinéma et collaborateur de la revue de cinéma Positif.

Auteur des courts-métrages La península (1994), Tierra Saguache (1995) et Knock Out

(1998).


17.15 - 18.15 h 

Curtas “Cinevardaphoto” de Agnés Varda 

Apresentação de Floréal Peleato 

Filmes: 

Ydessa, les ours et etc. (2004, 

43ʼ00, video)

Curtas “LʼEssai” de Agnés Varda 

7 P., cuis, s. de b. (1984, 27ʼ00ʼʼ, video) 


18.30 - 19.45 h 

Escolas: 

Escola Superior Artística do Porto

Apresentação de Manuel Costa e Silva 


3 NOV. TERÇA

PASSOS MANUEL

21.45 h 

Os cineastas e os seus filmes 

Floréal Peleato

Filme: 

La Mano Azul (2009, 75ʼ, vídeo) 

La main bleue décrit le processus de création du peintre Mathieu Sodore, qui réside à

Lisbonne, pendant quʼil réalise une série de tableaux de grands formats, La música callada del cantaor, inspirée par des palos flamencos –types de chants flamencos – et qui montrent partiellement des visages. Il sʼagit de capter ses sentiments, pensées, doutes et impulsions à partir du premier trait qui couvre la toile blanche jusquʼau moment de la signature. Il est également important de montrer que la peinture est un art visuel certes mais aussi sonore et tactile. De plus, peu à peu nous découvrons jusquʼà quel point lʼatelier est pour le peintre sa cellule, sa caverne et son temple et que le temps ne sʼy écoule pas comme ailleurs. Dʼautre part le film montre comment le peintre dans sa vie quotidienne ne cesse dʼêtre habité par lʼoeuvre en devenir tandis que sa voix nous propose une réflexion sur lʼart et la peinture ainsi quʼune approche de ce quʼest lʼart du portrait.


4 NOV. QUARTA

BMAG

14.15 – 15.15 h 

Masterclass de Olívia Silva

Imortalidades

O que representa um rosto? Como retratamos e interpretamos um rosto? Que relação

podemos estabelecer entre o rosto e identidade? Um rosto pode ter várias identidades?

Trabalho realizado pelo o fotógrafo Walter Schels e a jornalista Beate Lakotta que

acompanharam 24 doentes terminais nos últimos momentos de vida, no âmbito da AMARA - Associação pela Dignidade na Vida e na Morte. A reportagem foi publicada em 2003 e obteve vários prémios para os autores, inclusivo um 2º Lugar de World Press Photo em 2004.

Olívia da Silva

Doutorada em Fotografia pela Faculdade de Arte e Design da Universidade de Derby, no

Reino Unido, Olívia Da Silva é Directora do Departamento das Artes da Imagem, da Escola Superior de Música , das Artes e do Espectáculo do Politécnico do Porto e Coordenadora do Mestrado de Comunicação Audiovisual com Especializações em Fotografia e Cinema Documental e Produção e Realização Audiovisual. Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro. Entre os seus projectos fotográficos de retrato contam-se ʻ8/2ʼ sobre as(os) vendedoras (es) do Bolhão, Bom Sucesso, Victoria Market Hall, Bristol Market; ʻCabbage and Kingsʼ no Mercado de Municipal de Braga; ʻTrace and Memoryʼ no Mercado de Niort em França; ʻIn the net ʻsobre Comunidades Piscatórias de Grimsby e de Matosinhos; ʻSem Luvasʼcrianças com defice de comunicação; ʻMemórias de Nósʼo método SUZUKI – Projecto a Pauta com 22 crianças ;ʼQuatro Olhares sobre a Moagem Harmoniaʼ - Museu da Ciência e Indústria, ex – funcionários do museu ʻVai à Janelaʼ, ex-funcionários dos STCP;ʼMozart no Bairroʼ- quarteto musical;  ʻMoinhos do Tempoʼhabitantes da aldeia de Soito da Ruiva em Arganil; ʻ3 Formas de Verʼ sobre o Hospital de S. João, Série da Colecção ʻPresente na Cerimóniaʼ, ʻSérgio Machado dos Santosʼ , Série da Colecção ʻPresente na Cerimónia, Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho, entre outros. É autora e co-autora de obras de investigação sobre Representação Fotográfica e Identidades Pessoais. Desenvolve actualmente um projecto académico ʻIn & Out ʻ de pós – doutoramento no Departamento de Investigação de Newport, Reino Unido e em Portugal.


15.30 – 16.15 h 

Masterclass de John Goto 

Sidney Bechet, Royal Philharmonic Hall, 1919

WEST END BLUES series, Jazz Migrants in London, 1919-74

The face: the silhouette and the deathmask

John Goto will explore two pre-photographic forms used to represent the face: the silhoette and the deathmask. Both had a degree of mechanised production which produced highly accurate renditions, and both were associated with popular culture. They might be said to prefigure the photographic portrait and these connections will be explored along with the historical background of each process. The use by artists and writers in the twentieth century of the enigmatic death mask known as LʼInconnue de la Seine will be recounted. Goto will also show a work he made in response to the mask. Similarly he wil show his own West End Blues series, wich uses silhoettes to memorialise jazz musicians who worked in Londonʼs West End between 1919-74, and suggests links between some pre and post photographic practices.


John Goto is recognized internationally for his work in the field of photo-digital art. Since 1992 he has used digital technology to reflect on European history and contemporary social and political events. His interest is in story telling through pictures, and he considers himself variously as a contemporary history painter, and a folk artist.  In his talk Goto will consider the face as depicted in three pre-photographic conventions, and his creative response to these subjects. Goto has had solo London exhibitions at Tate Britain, the National Portrait Gallery and the Photographersʼ Gallery, and has shown widely in Europe.  He is represented by galleries in Paris, Munich and Seoul and is currently Professor of Fine Art at the University of Derby.


16.30 – 17.45 h 

Curtas “Contestatárias” de Agnés Varda 

Apresentação de Regina Guimarães 

Regina Guimarães. Nasceu no Porto, em 1957. A par dos seus poemas, publicados em

raras edições de natureza confidencial, tem desenvolvido trabalho na áreas do Teatro, da Tradução, da Canção, da Dramaturgia, da Educação pela Arte, da Crítica, do Vídeo. Foi docente da FLUP e na ESMAE. Orienta actualmente uma disciplina de Processos Narrativos na ESAD. Foi directora da revista de cinema A Grande Ilusão. É presidente da Associação Os Filhos de Lumière e programadora do ciclo O Sabor do Cinema. Integra o colectivo que, a par de outras actividades reflexão e criação, publica o jornal PREC. É co-fundadora do Centro Mário Dionísio. Com Ana Deus, fundou a banda Três Tristes Tigres, o colectivo Clube dos Nadadores de Inverno, e realizou inúmeras experiências em torno da palavra dita e cantada. Tem orientado oficinas de escrita e de iniciação ao cinema. Aspira a estar em todo o lugar onde haja uma luta justa a travar. Vive e trabalha com Saguenail desde 1975. Hélastre é o signo da sua obra comum.

Filmes: 

Oncle Yanco (1967, 18ʼ00”, video) 

Black Panthers (1968, 27ʼ00, video) 

Réponse de Femmes (1975,8ʼ00ʼʼ, video)


18.00 - 20.00 h 

Filme: 

Nosferatu de Werner Herzog, (1979, 107ʼ, vídeo) 

Apresentação de Jorge Campos 


Jorge Campos. Doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Santiago

de Compostela é docente do Curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual da Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo (ESMAE) do Instituto Politécnico do Porto. Integra o Departamento de Artes da Imagem sendo responsável pela área científica de Estudos Visuais, co-coordenador do Mestrado em Comunicação Audiovisual na especialização de Fotografia e Cinema Documental e director do Laboratório Multimédia. Jornalista, documentarista e programador cultural tem colaboração dispersa sobre Cinema, Televisão e Politicas Culturais em diversas publicações. É o Programador do Ciclo de Fotografia e Cinema Documental “Imagens do Real Imaginado” que conta com o apoio do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA), Universidade de Newport, Alliance Française e Goethe Institut.


O Ciclo, aberto ao público, faz parte do plano curricular quer do Mestrado em Comunicação Audiovisual, quer dos Cursos de Tecnologia da Comunicação Audiovisual e de Tecnologia da Comunicação Multimédia da ESMAE. Especialista em Cinema Documental e jornalista da RTP durante 25 anos – com experiência também de Rádio e Imprensa – realizou numerosos documentários, alguns dos quais premiados ou distinguidos. Foi o responsável pela “Odisseia nas Imagens”, Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura. Participa com frequência em júris do ICA e de festivais de cinema.


4 NOV. QUARTA

PASSOS MANUEL

21.45 h 

Os cineastas e os seus filmes 

Masterclass de Florence Ayisi

Representing New Images of Africa


Filme: 

Zanzibar Soccer Queens de Florence Ayisi, (2007, 52ʼ, video) 

Zanzibar Soccer Queens is a provocative portrait of Woman Fighters, a team of predominantly Muslim women in Zanzibar. Their individual stories of aspirations, shattered dreams, friendship, sisterhood and self-determination reveal a community of strong-willed African women determined to better their lives and define new identities through playing football.  Their passion for football is passion for life and the freedom of self-expression. For these women, playing football is a catalyst for personal change, and a chance to discover the world beyond the confined boundaries of how a woman should be.  http://www.zanzibarsoccerqueens.com


Florence Ayisi is a Cameroonian filmmaker and university lecturer. Her teaching and

research interests include documentary film, alternative representations of Africa,

Ethnographic Film, editing aesthetics, and how womenʼs work and visions drive social and economic development. Currently Reader in Film Practice at the University of Wales,

Newport, Florenceʼs films present rare insights into womenʼs experiences, particularly in

Africa. Her first feature documentary was the multi award-winning Sisters in Law, (2005, co- directed with Kim Longinotto), and she recently completed another feature documentary, Zanzibar Soccer Queens, through her company Iris Films (UK/Cameroon).


5 NOV. QUINTA

BMAG

14.15h – 15.30 h 

Masterclass de Anna Fox

Pictures of linda lunus series (1983 – present )

The Performing Portrait

Apresentação de Adriana Baptista 

Anna Fox will discuss the relationship between photographer and subject through looking at four specific bodies of work that she has made over the last 15 years. Starting with Zwarte Piet, a work largely created on the street and working through to the ongoing series Pictures of Linda where the model  (Linda Lunus) actively collaborates with the Photographer Fox will explore the space between photographer and subject looking the role performance plays within the construction of the photographic portrait. Fox will also discuss the projects Country Girls (a collaboration with Alison Goldfrapp) and Back to the Village looking at how these bodies of work employ the notion of theatre and staging, in very different ways, to frame the stories she intends to tell.


Anna Fox. Born in 1961 and completing her degree in Audio Visual studies at The West

Surrey College of Art and Design in 1986, Anna Fox has been working in photography and video for  twenty -five years. Influenced by British documentary tradition and US ʻNew Colouristsʼ her first work Workstations (published by and exhibited first at Camerawork,London 1988) observed with a critical eye London office culture in the mid Thatcher years. Later work documenting weekend wargames, Friendly Fire, was exhibited in the exhibition Warworks at the Victoria & Albert Museum, the Netherlands Foto Instituut and the Canadian Museum of Contemporary Photography. Her solo shows have been seen at The Photographerʼs Gallery, London, The Museum of Contemporary Photography, Chicago and her work has been included in numerous international group shows- Through the Looking Glass, Documentary Dilemmas and New Natural History amongst others. She has had several monographs of her work published (see below) and the first retrospective show of her work, Cockroach Diary and other Stories, opened at Impressions Gallery in summer 2008.


Annaʼs work has recently been shown in From Tarzan to Rambo at Tate Modern; Centre of the Creative Universe: Liverpool and the Avant Garde at Tate Liverpool and How We Are: Photographing Britain at Tate Britain. Anna Fox is Professor of Photography at The University College for the Creative Arts at Farnham and has co-written (with Dr Deepak John Mathews) the first Masters level photography course in India for the National Institute of Design in Ahmedabad.


16.15 – 17.45 h 

Curtas “Cinevardaphoto” de Agnés Varda 

apresentação de Regina Guimarães 


Filmes: 

Ulysse (1982, 21ʼ00ʼʼ, video)

Salut Les Cubains (1962-1963, 28ʼ00ʼʼ, video) 

Une minute pour une image  de Agnés Varda 

14 filmes de 1ʼ20ʼʼ sobre Nurith Aviv, Joan Fontcuberta, Marc Garanger, 

Gladys, Bob Gould, Bill Greene, Liliane de Kermadec, Jacques- Henri 

Lartigue, Gérard Marot, André Martin, Marc Riboud, Eugene W. Smith, Jenny 

De Vasson e Jean Pasquet (1983, 26ʼ00ʼʼ, video) 


18.00 – 19.15 h 

Escolas: 

International Film School of Wales (Newport)

Apresentação de Florence Ayisi 


5 NOV. QUINTA

PASSOS MANUEL

21.45 h 

Os cineastas e os seus filmes 

masterclass de Carina Rafael


Borderland

A beleza “não é senão o começo do horror que ainda somos capazes de tolerar.” (Donald Meltezer).


Esta sessão intitula-se “Borderland”, termo que Amaral Dias utiliza para descrever os

estados limite na psicopatologia. Esta apresentação não é uma reflexão sobre psicopatologia mas antes uma consideração sobre a relação entre psicopatologia, pop culture e arte. O vídeo learn baby learn apresenta uma realidade desorientadora, uma viagem  ao mundo subterrâneo e obscuro do inconsciente. Na minha opinião, este trabalho espelha no espectador um determinado fragmento do seu próprio mundo interno. A relação entre a loucura e a arte sempre foi estreita pela aparente liberdade que ambas exprimem ou partilham. No entanto o artista não é um louco. Segundo Freud, o verdadeiro artista é aquele que consegue transpor o seu mundo interno para a realidade física ou muscular, e assim renunciar ao desejo imediato de obtenção de prazer. O artista “louco” perdeu a capacidade criativa e transformativa, a sua função alfa (Bion),  capacidade de pensar a realidade. Aqui tudo é acção ou enactment, vivido à flor da pele, nada se liga e nada se inscreve.

Carina Rafael. Nasceu em Paris em 1979. Licenciatura em Bela Artes /Escultura na

Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (1997/02); MA Fine Arts – Sculpture,

Wimbledon School of Art, Londres (2003/04); MSc Art Therapy, Queen Margaret University, Edimburgo (2005/07). Frequenta a especialização em Psicoterapia Psicodinâmica na SPPC. Como artista plástica e arte terapeuta, o seu trabalho explora as relações entre o processo artístico e a psicanálise. Vive e trabalha no Porto.


Filme: 

Learn baby learn  (2009 5ʼ, vídeo) de Carina Rafael 

Filme: 

Woyzeck, o Soldado Atraiçoado de Werner Herzog (1979, 82ʼ, video) 

Apresentação de Jorge Campos


6 NOV. SEXTA

BMAG

14.15 – 16.45 h 

O meu melhor inimigo de Werner Herzog, (1999, 95ʼ, video) 

Apresentação de Jorge Campos 

17.15 - 18.15 h 

Masterclass de António Durães

O actor e o rosto

Quando o actor é o rosto;

Quando o rosto do actor revela o rasto que o faz chegar àquele rosto;

Quando o rasto que ilumina o rosto do actor, deixa revelado o tanto resto do edifício do actor.


António Durães. Nasceu na Figueira da Foz, em 1961. Frequentou o curso da Escola de

Formação Teatral do Centro Cultural de Évora. É actor (profissionalmente) desde 1984. Tem encenado regularmente desde 92 e é, a partir de 2000, professor de Teatro na ESMAE. Tem trabalhado, entre outros, com os encenadores Luís Varela, José Valentim Lemos, Mário Barradas, Rui Madeira, António Fonseca, José Ananias, Mark Donford-May, José Wallenstein, Jorge Silva Melo, Paulo Castro, Ricardo Pais, Nuno Carinhas, Giorgio Barberio Corsetti, José Carretas, Nuno M. Cardoso, João Pedro Vaz, Adriano Luz, Carlos Pimenta e Fernando Mora Ramos. Dos espectáculos mais recentes em que participou (interpretou ou encenou), destacam-se O MERCADOR DE VENEZA, de W. Shakespeare, (encenação de Ricardo Pais, TNSJ), LETRA M, de Saaz/João Vieira (encenação de Fernando Mora Ramos, TR); e a encenação do espectáculo MALDOROR, com os Mão Morta.


18.30 – 19.45h 

Escolas: 

Cursos TCAV e TCM, do Departamento de Artes da Imagem da ESMAE

Apresentação de José Quinta Ferreira


6 NOV. SEXTA

PASSOS MANUEL

22.00 h 

As Curtas “Parisienses” de Agnés Varda

Apresentação de António Roma Torres 

António Roma Torres. Nasceu no Porto. _Licenciado em Medicina pela Faculdade de

Medicina do Porto, é psiquiatra, com experiência em Terapia Familiar e Psicodrama.

Presentemente é Director do Serviço de Psiquiatria do Hospital de S. João

(Porto)._Escreveu crítica de cinema regular no 'Jornal de Notícias' (Porto) entre 1975 e 2001.


Colaboração episódica sobre cinema noutros orgãos de informação, nomeadamente num período no programa da manhã da RTP1. Co-fundador e colaborador da revista de cinema 'A Grande Ilusão'._Cineclubista com colaboração no Cineclube da Boavista, Cineclube do Norte e Cineclube do Porto (a cujos corpos gerentes pertenceu)._É autor de 'Cinema Português, Ano Gulbenkian' (1974) e de 'Cinema, Arte e Ideologia' , antologia

(1975)._Pertenceu por diversas vezes aos júris de atribuição de subsídios à produção

cinematográfica._Integrou a Comissão Nacional da Comemoração do Centenário do Cinema, presidida pelo Dr. Bénard da Costa, e o Conselho Consultivo da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura.


Filmes: 

Les Dites Cariatides (1984, 12ʼ00ʼ, video) 

LʼÓpera – Mouffe (1958,16ʼ00ʼʼ, video) 

Elsa la Rose (1965, 20ʼ00ʼʼ, video) 

Le Lion Volatil (2003, 11ʼ00ʼʼ, video) 

Tʼas de beaux escaliers, tu sais (1986, 3ʼ00ʼʼ, video) 

Les Fiancés du Pont Mac Donald (1961, 5ʼ00ʼʼ, video)

Filme concerto pelo Ensemble 343 sob direcção de Filipe Lopes

O gabinete do dr. Caligari (1920) de Robert Wiene 


Filipe Lopes. Nasceu no Porto em 1981. Em 2003 finaliza a licenciatura em Professor do

Ensino Básico, variante Educação Musical na Escola Superior de Educação do Porto. No

mesmo ano ingressa na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo do Porto no

curso de Composição concluindo o bacharelato em 2007. Em 2006 vence o Prémio

Black&White Melhor Áudio Experimental com a peca “BlackandDekker” e em 2007 foi

compositor residente na Miso Music Portugal (LEC). Em 2009 terminou o mestrado em

Sonologia no Instituto de Sonologia, trabalhando com Paul Berg, Kees Tazelaar e Joel Ryan entre outros. Desde 2007 que desenvolve trabalho no Serviço Educativo da Casa da Música, pertencendo ao Factor E e desde o ano lectivo 2009/2010 é professor de música electrónica na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo.

Mais informação em www.filipelopes.net


Estarão em exibição no auditório da Biblioteca

Municipal Almeida Garrett de 2 a 6 de Novembro:

_ A exposição Murmúrios do tempo, co-produção entre o Centro Português 

de Fotografia  e o Silo, Espaço Cultural do Norteshopping. 

_ A instalação multimédia As Metamorfoses do Rosto,

dos alunos do Curso de Comunicação da Tecnologia Multimédia do DAI / 

ESMAE / IPP. 

_ 25 Frames ≠ 1 Segundo (3ª Edição) 

Diaporama de Alunos do 2º ano do curso de Tecnologia da comunicação 

Audiovisual do DAI / ESMAE / IPP.


4 NOV. QUARTA

09.00 – 12.30 h 

Visita guiada à exposição TALES FROM THE TROPHY ROOM

de Common Culture (Mark Durden, Ian Brown e David Campbell)

Solar, Galeria de Arte Cinemática em Vila do Conde

Partida do IPP/Porto às 09.00 h


FICHA TÉCNICA

DAI / ESMAE / IPP

Coordenação_Olívia Silva           

Programação_Jorge Campos         

Produção_Cesário Alves      

         José Quinta Ferreira 

        Maria João Cortesão 

Formação_Manuel Taboada 

         Marco Conceição 

         Pedro Mouga 

         Cláudio Melo 

         Luis Ribeiro 

         João Leal 

Filme promocional_Nuno Tudela 

Comunicação_Sofia Lopes 

Design_Vítor Quelhas 

Secretariado_ Carla dias 

    Branca Santos 

Apoio técnico_António Gorgal  (Serviços de Fotografia / ESMAE) 

    Carlos Filipe (Serviços de Vídeo / ESMAE) 

Apoio produção_ João Paulo Gomes 


ALLIANCE FRANÇAISE

Programação/produção_Bernard Despomadéres 

GOETHE-INSTITUT PORTUGAL NO PORTO

Programação/produção_Thomas Kern

CPF - CENTRO PORTUGUÊS DE FOTOGRAFIA

Produção de exposição e cedência de imagens 

SOLAR, GALERIA DE ARTE CINEMÁTICA, VILA DO CONDE

Programação/produção_Dario Oliveira 

EUROPEAN CENTRE FOR PHOTOGRAPHIC RESEARCH (ECPR)

UNIVERSITY OF WALES, NEWPORT

Apoio à programação 

OPEN STUDIO RESEARCH CENTRE, UNIVERSITY OF DERBY, UK

Apoio à programação 

INFORMAÇÕES

www.dai.esmae.ipp.pt/ 

carladias@esmae-ipp.pt

 
 
 
120048145_341823260208071_74511127798334

Receba a Newsletter de NDR diretamente na sua caixa de email

Todo o conteúdo © Jorge Campos

exceto o devidamente especificado.

Criado por Isabel Campos 

Ouvir

Ver, Ouvir & Ler

Ler

C A T E G O R I A S

Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

Iluminação Camera

 

Ensaios, conferências, comunicações académicas, textos de opinião. notas e folhas de sala publicados ao longo de anos. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes quando se justificar.

Estático

Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

televisão sillouhette

Atualidade, política, artigos de opinião, textos satíricos.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

bottom of page