CULTURA

  • Jorge Campos

quando o jovem Kim sumiu



olá, miúdo! ninguém sabe de ti e viraste preocupação comum. andam todos numa fona a tentar adivinhar o teu paradeiro, aqui ou além. pelo que vou ouvindo, depois de teres atirado um tio aos cães, exterminaste mais uns quantos suspeitos depois ressuscitados em paradas militares, enquanto a tia mulher do tio devorado aparecia ao teu lado, já não me lembro se a disparar mísseis se a tricotar engodos de apoio à sobrinha, tua irmã, uma possível candidata à tua sucessão, se bem que, por essas paragens, segundo os serviços de inteligência de todo o mundo, as mulheres tenham má sina, o que é mau, porque, tanto quanto se sabe, os teus três filhos são pequenos, ou seja, é um problema sucessório e, portanto, afinal, talvez a mana, se, porventura, te deu o badagaio, seja a mais indicada para assegurar a transição enquanto camarada regente à espera de outro Kim que cante. bem, miúdo, para te ser franco nunca me inspiraste grande confiança. essa coisa de uma monarquia comunista não me entra na cabeça. mas também não me entram na cabeça muitas outras coisas como, por exemplo, tratar a covid-19 com lixívia. olha, por mim, ficas lindamente em cima do teu cavalo branco, tens pinta de ícone pop com estrelinha e martelo a condizer e, francamente, bem podias dispensar-te das outras bizarrias que ninguém te levaria a mal. ainda assim, tenho de reconhecer o fascínio do mistério de ninguém saber de coisa nenhuma a teu respeito, salvo atirares tios à voracidade de cães esfomeados, parece.

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