CULTURA

  • Jorge Campos

Viktor Orbán e a orwellização da Europa

Atualizado: 20 de Nov de 2020



este sujeito, eleito em 2010, tem vindo paulatinamente a transformar a Hungria numa ditadura da extrema-direita. já perdi a conta às revisões constitucionais que fez nesse sentido. na última, proclama-se a cristandade como matriz do estado e abre-se a porta do inferno aos incréus. ali ao lado, a Polónia não lhe fica atrás. se na Hungria manda o Fidesz, o partido de Viktor Orbán, na Polónia pontifica o PiS, o Partido da Lei e da Justiça, fundado pelos gémeos Kaczynski, obcecado com a tradição cristã, a homossexualidade, o aborto e o controle dos meios de comunicação social por norma entregues a membros do governo. estes dois países puderam fazer o caminho para a ditadura contando com a cumplicidade da União Europeia. não há outra maneira de o dizer. o Fidesz e o PiS nem sequer são membros do ID, Identidade e Democracia, o partido europeu onde pontificam, entre outros, os fascistas Le Pen e Salvini. o Fidesz integra o grupo do Partido Popular Europeu, tal como o PSD e CDS, e o PiS faz parte da Aliança dos Reformistas e Conservadores Europeus, mais radical. mas quão ténues são as diferenças entre eles! prova disso, é ter-se chegado ao que se chegou, ou seja, o veto de húngaros e polacos aos fundos para lidar com a pandemia numa altura em que eles são mais necessários do que nunca. porquê? Orbán e os seus aliados não querem a observância das regras do estado de direito como condição de acesso. tão simples quanto isso. a democracia só os atrapalha. algo de que há muito se sabe. mas deixaram-nos andar. os resultados estão à vista. rui rio bem podia pensar duas vezes e fazer rewind até àquele dia em que o CDS quis chamar Orbán à pedra no Parlamento Europeu e ele lavou as mãos. o homem é incorrigível. provam-no os factos recentes. e a tola entrevista que deu à TVI.



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