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   viagem pelas imagens e palavras do      quotidiano

NDR

  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 11 de out. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 22 de out. de 2023



Nuit et Brouillard (1955) de Alain Resnais. No dia em que o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha se manifestou "extremamente preocupado" pelo bem sucedido branqueamento do nazismo levado a cabo no seu país pela extrema direita; no dia em que se comemora o dia internacional das vítimas do holocausto; em mais um dia em que os sinais de uma doença que se julgava erradicada voltam a manifestar-se de forma subreptícia um pouco por todo o lado num quadro de preocupante relativismo simbólico; neste dia, a minha escolha tinha de recair neste filme. É mais um documentário. Com cerca de 50 minutos, texto de Jean Cayrol, um sobrevivente do campo de concentração de Mauthausen-Gusen e música de Hanns Eisler, Nuit et Brouillard é uma obra-prima do cinema e uma aterradora reflexão não só sobre a memória mas também, e sobretudo, sobre a responsabilidade de cada um sobre o que aconteceu. É de responsabilidade cívica, moral e intelectual que hoje é preciso voltar a falar. Porque quando se perde a batalha dos valores abre-se o campo à barbárie.

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 11 de out. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 22 de out. de 2023



Fantasia Lusitana (2010) de João Canijo. Finalmente um documentário. Português. Porquê? Porque é mais do que tempo de falar do assunto. Nos últimos tempos não tem faltado quem afirme que em portugal nunca houve fascismo. Rui Rio, disse-o. Pulido Valente, também. E depois há toda aquela nata de articulistas do observador especialista em revisionismos e branqueamentos. Bem sei que há muitas maneiras de lidar com o tema e que os historiadores, ao longo do tempo, se têm debatido com diversas hipóteses. Para alguns, à direita, o Portugal de Salazar seria um mero regime autoritário. Fascistas mesmo só na Alemanha e na Itália. Bom, em Portugal é claro que houve fascismo. Aos mais cépticos, caso queiram ter uma ideia das coisas, faria bem verem o Jornal Português de Salazar, recentemente editado pela Cinemateca Portuguesa. Foi com base nessas imagens de arquivo que João Canijo fez o seu filme. Lisboa, durante a guerra, não só foi um lugar de convergência de espiões, mas também a cidade para onde milhares de refugiados se deslocavam na expectativa de aí partirem para os Estados Unidos. Erika Mann, filha de Thomas Mann, Alfred Döblin e Antoine de Saint-Exupéry passaram pela capital portuguesa e deixaram-nos textos dando conta do seu espanto face à bizarra noção de realidade dos portugueses. Os textos estão no filme, o qual, não por acaso, se chama Fantasia Lusitana. Vivamente recomendado.

 
 
 
  • Foto do escritor: Jorge Campos
    Jorge Campos
  • 7 de out. de 2020
  • 1 min de leitura

Atualizado: 22 de out. de 2023



Hoje escolho dois filmes com uma temática comum, a operação antropóide da qual resultou o atentado que vitimou uma criatura infame, Reinhard Heydrich, número dois das SS de Himmler, chefe da Gestapo, delfim de Hitler e arquitecto da Solução Final. os filmes são Anthropoid (2017) de Sean Ellis e O Homem de Coração de Ferro (2016) de Cédric Jimenez. A imagem é deste último. Ambos são estimáveis e ambos suscitaram reacções críticas à direita europeia com o argumento de já todos estarem fartos de recordar as atrocidades do passado. Não deixa de ser sintomático. Sinais dos tempos. A história desta operação é recorrente no cinema (até Fritz Lang a abordou) e na literatura. Aliás, o filme de Jimenez é uma adaptação do prémio Goncourt de 2010 HHhH de Laurent Binet. Dito isto, ambos os filmes evocam o lançamento de paraquedistas da Resistência de Londres sobre o então protectorado da Boémia-Morávia (Checoslováquia) com o intuito de assassinar Heydrich, o carniceiro de Praga. O atentado acabou por ser bem sucedido e desencadeou o fuzilamento de milhares de checos, fazendo literalmente desaparecer do mapa, por exemplo, a aldeia de Lidice.

 
 
 
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Criado por Isabel Campos 

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Ensaios, conferências, comunicações académicas, notas e artigos de opinião sobre Cultura. Sem preocupações cronológicas. Textos recentes  quando se justificar.

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Arquivo. Princípios, descrição, reflexões e balanço da Programação de Cinema, Audiovisual e Multimédia do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura, da qual fui o principal responsável. O lema: Pontes para o Futuro.

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Imagens do Real Imaginado (IRI) do Instituto Politécnico do Porto foi o ponto de partida para o primeiro Mestrado em Fotografia e Cinema Documental criado em Portugal. Teve início em 2006. A temática foi O Mundo. Inspirado no exemplo da Odisseia nas Imagens do Porto 2001-Capital Europeia da Cultura estabeleceu numerosas parcerias, designadamente com os departamentos culturais das embaixadas francesa e alemã, festivais e diversas universidades estrangeiras. Fiz o IRI durante 10 anos contando sempre com a colaboração de excelentes colegas. Neste segmento da Programação cabe outro tipo de iniciativas, referências aos meus filmes, conferências e outras participações. Sem preocupações cronológicas. A Odisseia na Imagens, pela sua dimensão, tem uma caixa autónoma.

Notas, textos de opinião e de reflexão sobre os media, designadamente o serviço público de televisão, publicados ao longo dos anos. Textos  de crítica da atualidade.

Textos avulsos de teor literário nunca publicados. Recuperados de arquivos há muito esquecidos. Nunca houve intenção de os dar à estampa e, o mais das vezes, são o reflexo de estados de espírito, cumplicidades ou desafios que por diversas vias me foram feitos.

Notas pessoais sobre acontecimentos históricos. Memória. Presente. Futuro.

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